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Eu tenho medo da Romana.

Seus olhos e seu sorriso brilhavam em um cartaz, quando apareceram na subida do morro do Pantanal, colados a uma parede. Isso foi por volta de setembro do ano passado, quando as pessoas ainda sabiam por onde andava José Serra.

As eleições passaram, e os medos, de Serra ou de Lula, tomaram suas devidas formas triviais e cotidianas, aceitáveis para nós, brasileiros, mestres na sobrevivência e adaptação. Romana foi envelhecendo. Sua face paralisada não envelhecia, como que ungida em algum botox misterioso, mas seu veí­culo perdia suas propriedades, acinzentando seu rosto. O sorriso, de brilhante, passou a diabólico, impressão ampliada pela inserção, pelos garotos locais, de sí­mbolos pagãos, tais como cruzes modificadas e estranhas estruturas circulares, possí­veis runas de evocação de espí­ritos antigos.

O papel do cartaz, porém, resiste, e insiste em não despedaçar-se. Romana permanece ali, aprisionada, aterrorizando universitários e motoristas incautos, tornando-se mais uma lenda urbana de Florianópolis.

Das coisas que detesto com fervor: poluição visual de campanhas políticas.

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  1. Billo
    24.03.2003 às 9:53 | #1

    Meu amigo Gilvan, fico aqui tentando imaginar como seria um encontro com essas lendas vivas, Kerito e Romana, num sábado de manhã em Florianópolis. Não gosto nem de pensar que consequências trariam para nós, pobres mortais, um encontro como esse.

    Grande abraço,

    Billo

  2. 24.03.2003 às 10:44 | #2

    ah, que saco. em sampa não tem kerito!

  3. isa
    24.03.2003 às 22:18 | #3

    quase todo dia eu passo pela “Romana” e algumas vezes me pergunto se todos que por ali também passam reparam nos sinais que o tempo deixou e, principalmente, quanto tempo ela ainda vai resitir.
    lenda mesmo…