Eu tenho medo da Romana.
Seus olhos e seu sorriso brilhavam em um cartaz, quando apareceram na subida do morro do Pantanal, colados a uma parede. Isso foi por volta de setembro do ano passado, quando as pessoas ainda sabiam por onde andava José Serra.
As eleições passaram, e os medos, de Serra ou de Lula, tomaram suas devidas formas triviais e cotidianas, aceitáveis para nós, brasileiros, mestres na sobrevivência e adaptação. Romana foi envelhecendo. Sua face paralisada não envelhecia, como que ungida em algum botox misterioso, mas seu veículo perdia suas propriedades, acinzentando seu rosto. O sorriso, de brilhante, passou a diabólico, impressão ampliada pela inserção, pelos garotos locais, de símbolos pagãos, tais como cruzes modificadas e estranhas estruturas circulares, possíveis runas de evocação de espíritos antigos.
O papel do cartaz, porém, resiste, e insiste em não despedaçar-se. Romana permanece ali, aprisionada, aterrorizando universitários e motoristas incautos, tornando-se mais uma lenda urbana de Florianópolis.
Das coisas que detesto com fervor: poluição visual de campanhas políticas.
Meu amigo Gilvan, fico aqui tentando imaginar como seria um encontro com essas lendas vivas, Kerito e Romana, num sábado de manhã em Florianópolis. Não gosto nem de pensar que consequências trariam para nós, pobres mortais, um encontro como esse.
Grande abraço,
Billo
ah, que saco. em sampa não tem kerito!
quase todo dia eu passo pela “Romana” e algumas vezes me pergunto se todos que por ali também passam reparam nos sinais que o tempo deixou e, principalmente, quanto tempo ela ainda vai resitir.
lenda mesmo…