sinestesia

Idlewild: 100 Broken Windows

Dentro do encarte de 100 Broken Windows, da banda inglesa Idlewild, vem uma passagem de volta para aqueles deliciosos anos do começo da juventude. A bateria dispara na faixa de abertura, Little Discourage, e só pára no final da última faixa, para nos surpreender, atordoados pela potência das canções.

Os riffs não primam pela complicação, o estilo soando como um meio termo entre a esporreira elétrica acessível do Placebo com algumas linhas dedilhadas e vocais de apoio do REM de antigamente. A escola é a do punk da década de noventa, de canções grudentas e refrões diretos.

These Wooden Ideas é aquilo que eu dizia de REM e Placebo, claramente dispostos em estrofes e refrão, respectivamente. As letras entram em picuinhas sobre arte e quejandos, mas mantém a pegada pop pela síntese e repetição. A ponte desta canção é o que há em termos de revolta pós-adolescente difusa. Delícia!

E segue neste nível, uma porrada atrás da outra, sempre com bom gosto. Fazia tempo que eu não ouvia um álbum conciso e declaradamente pop, sem esquecer do peso e de boas guitarras, daquelas que te fazem afundar o pé no acelerador, e te dão a impressão de que é realmente uma coisa boa a angústia de não saber para onde se está indo.

Wilde dizia que o segredo para voltar à juventude é fazer de novo todas as coisas que se fazia naquela época, e, diabos, mais uma vez a minha bichona irlandesa predileta está certa.

compactos que eu extrairia: These Wooden Ideas, Roseability, Rusty. As duas primeiras ficam bem demais juntas no álbum, e Rusty, sufocadona no começo, explode voando baixo no refrão, para travar de novo, clássico refrão mais ponte onde o gaudério dá uns berros de levantar o Kurt do túmulo fechando em uma seqüência de riffs funestos, e ficou ainda melhor na remixagem do Graham Coxon.

extremos: nada disso, tudo redondinho, duas primeiras faixas para pegar o ouvinte pelo pescoço, terceira single, miolo do álbum mais reflexivo, uma faixa bem tranquila para fechar o álbum, e dar aquela vontade de começar tudo de novo.

capa: esperta, muito esperta, te deixa pensando na dinâmica que aquela cadeira vai tomar se resolver concretizar o título do álbum.

e os caras sabem escrever?: aparentemente não fugiram da escola, e até leram algumas orelhas de livros, o que permite que eles escrevam “Don’t be real, it’s post modern” e cantem isso com a convicção que apenas os moleques têm. E eles têm as manhas de falar de Gertrude Stein em Roseability, “they can’t teach you what you don’t already know”, e fazer disso uma gema pop plenamente assobiável, com direito a rasgar uma desafinada quando cantam “dissatisfied“, que é o único jeito que eu imagino ser possível cantar esta palavra.

novidade: nenhuma, mas, diabos, é bom demais ver alguém fazendo as coisas direito!

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