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Joel Zito Araújo: As Filhas do Vento

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Minhas crianças, o fim, como já foi noticiado aqui, aproxima-se a passadas largas, e Filhas do Vento é um dos arautos. Vale ressaltar que eu assisti a este filme logo depois de Filhos de Francisco, o que deveria, via de regra, baixar meus critérios estéticos; mantenha isto em mente.

Na comparação inicial, O filme de Joel Zito Araújo vence, o que não quer dizer absolutamente nada diante da nulidade da referência tomada. Onde ganha? Primeiro, existe direção de fotografia, e alguma preocupação em criar bons enquadramentos. O trabalho de captação das expressões cria sensações poéticas em mais de um instante.

Por outro lado, os closes agravam o principal problema da película: a péssima direção de atores. Quase todos são veteranos de novelas e palcos, mas não conseguem passar nenhuma naturalidade. Existem momentos patéticos entre os coadjuvantes, como o saxofonista que tem um caso com aspirante a atriz; o cara não consegue dizer nenhuma frase direito. Só que isso é perdoável, dado que se trata de um coajuvante, provavelmente chamado em cima da hora. A cobra fuma quando atrizes veteranas, no caso as que interpretam as irmãs na velhice, não conseguem convencer nem uma ostra bêbada com seus desempenhos em papéis que exigem uma força dramática incomum.

O roteiro derrapa diversas vezes numa militância negra clichezóide, e uma das teclas mais pressionadas é a coadjuvância compulsória dos negros nas novelas. A grande ironia disso é que as atrizes parecem ter perdido seu fôlego justamente por terem sido coadjuvantes tanto tempo; quando chega a chance de um papel de impacto, elas não sabem o que fazer. Prova disso é a polarização excessiva e sorvete-na-testa do relacionamento entre mães e filhas trocadas. Apesar de certos percalços providenciados pelo roteiro, Milton Gonçalves até que empresta algum vigor ao setor interpretativo, mas o elenco feminino é fraco demais, com o agravante de que este último deve responder por 87% do elenco total; tem cena em que vemos umas vinte mulheres na telinha, um verdadeiro clube da Luluzinha.

Questões cruciais são abordadas no filme, e não deve-se esquecer disso. A forma como a vida é permitida aos negros no Brasil nos é mostrada com nuances interessantes, mas nada além do que já tenha sido tratado, por exemplo, em Madame Satã. Talvez alguém possa achar interessante os atores globais, especializados em sotaque de nordeste e Rio, se matando para tornar verossímil seu dialeto mineiro, mas é muito pouco; Filhas do Vento soçobra burocraticamente entre suas próprias promessas.

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  1. Dr. Marco Jesus
    05.01.2007 às 16:46 | #1

    Caro Joel.
    Talvez tu não consigas imaginar o tamanho do serviço prestado por tua pessoa com o filme FILHAS DO VENTO.Imprimiste com força nosso retrato, nossas coisas, nossa negritude na grande tela branca. Até que enfim gente de verdade no cinema brasileiro.
    A opressão do negro no Brasil é mais uma questão de sutileza, de entrelinhas. Tu respondestes a tua dessa picardia.
    Sou negro, nasci numa vila popular em Porto Alegre. Consegui estudar medicina na UFRGS e pos graduar-me na França onde vivi 20 anos. Hoje sou médico e professor na própria faculdade de medicina onde estudei. Portanto conheço bem as sutilezas apresentadas em tua obra. E só o povo verdadeiro com tu, é capaz de uma verdadeira e necessária revolução de cultura e mente.
    Abraços,
    Marco

  2. Júlio César do Nascimento Ferreira
    28.09.2009 às 21:27 | #2

    Olá Joel como vai? Trabalhei com vocês neste belo filme na montagem de cenário, hoje estou no ramo da mineração. Não tive a grata satisfação de sentar para ver o filme, mais vou fazer em breve. Escutei muitos comentários bons sobre o filme, gostaria de saber se no dvd passa também os bastidores do filme?
    Foi um prazer poder mandar este e-mail para você.
    Grato, Júlio.

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