sinestesia

William Faulkner: Palmeiras Selvagens

wild palms

Os dias de New Orleans não deviam ser muito diferentes dos que assolam Florianópolis. O suor devia ser uma realidade inescapável, uma certeza que ninguém efetivamente queria ter. Exatamente como aqui onde eu me sento para escrever mais um capítulo da minha rasgação de seda a um caipira bigodudo que cismou de escrever romances intrigantes. Cada novo volume é como as brigas de que ouvi falar hoje: paga-se um boi para não entrar, e uma boiada para não sair. Faulkner não se perde em bois. Estranho até que seus períodos sejam curtos nas primeiras páginas, mas logo se está lá de novo, no centro das epifanias sulistas do homem que, talvez, tenha sido o mais adequado a descrever.

Os dias tais de New Orleans gestam uma gente que só é personagem de Faulkner, e que, curiosamente, não identifico com o homem. Quase como se ele estivesse sentado na cadeira de palha observando com seus olhos escuros abaixo dos cabelos brancos e acima daquele tão bizarro quanto correto bigode. Correto para ele, em quem fazia sentido. Gente que pode se sujeitar aos destinos mais sórdidos com a cara limpa e tranqüila. Gente que se lança contra moinhos construídos pelas próprias mãos. Gente que só sabe de uma coisa: não tem outra opção. Gente que lança-se ao sabor das circunstâncias ou das próprias loucuras com a visão que Faulkner constrói sobre sua particular crença católica. A gente de Faulkner é poderosa em seus delírios e em sua abnegação. Abandonados pelo livre arbítrio que existe na Bíblia de Faulkner, eles são anjos decepados, forjados no poder divinos e lançados a uma Terra que espelha a cidade de cristal.

Os dias cessarão, e ainda haverá o manancial de Faulkner a contemplar e invejar; há de sorver apenas o que corpo e alma agüentam a cada vez. E seguir.

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3 comentários sobre “William Faulkner: Palmeiras Selvagens

  1. Pingback: William Faulkner: A Mansão « sinestesia

  2. Jonas em disse:

    Li o Palmeiras Selvagens há menos de dois meses. Os personagens do Faulkner parecem jogados em uma enchente (no caso de Palmeiras Selvagens, literalmente, na história do presidiário), e se deixam levar, incapazes de reagir.

    E os capítulos que se alternam.. eu lia a história do casal e achava que a outra não bateria a qualidade. Mas a outra era tão boa quanto. E eu fiquei nesse vai-e-vem, sem conseguir decidir qual era a melhor..

  3. marcelo de almeida em disse:

    Que capa maravilhosa de the wild palms william faukner e foda pare dfe ler essas coisas!!!!!!!!!!

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