Hooverphonic: No More Sweet Music

More Sweet Music é o certificado de maturidade da banda belga Hooverphonic. Representa o momento, raramente alcançado, em que os músicos dominam sua forma de expressão ao extremo, e controlam de forma completa o desenvolvimento dos seus álbuns. De certa forma, é o que transparece o penúltimo disco com a cantora Geike Arnaert, que os acompanhava desde o segundo disco, e que ajudou a forjar o que hoje é chamado de Hooverphonic.
O conceito do álbum é interessante: um disco com dez canções originais, e outro disco com o mesmo álbum, porém por outro ponto de vista. Existe uma linha bastante subjetiva ao conceituar o que seria efetivamente More Sweet Music e No More Sweet Music, mas preferi me ater à fruição do conjunto bem amarrado de canções.
O primeiro disco é mais orgânico, e parece ser a mixagem original, a partir da qual se gestou o segundo disco. Isto pode ser apenas uma impressão, claro. Os climas se alternam: Tomorrow é uma canção típica do Hooverphonic, orbitando os planetas não distantes de big bands, trip-hop e mulheres fatais em bares enfumaçados. Alterna para o synthpop pulsante de Dirty Lenses: Arnaert canta com abandono, carregando a interpretação, transformando-se conforme a fase da canção. Seu timbre é excelente, e sua técnica, no ápice.
Heartbeat é uma trilha de vaudeville que remete à interpretação do Doors a uma certa canção de Kurt Weil. A canção de abertura é solene com toques orientalizantes, uma encruzilhada de névoas esvoaçantes entre as sonoridades de Beth Gibbons e Allison Goldfrapp, com reprise na doída You Hurt Me (But I’ve Got So Much More To Give). We All Float é uma deliciosa neo-psicodélica que antecipa certas facetas de Seventh Tree. A faixa-título retorna ao cabaré grandioso com cordas glamurosas em uma embalagem caribenha.
No disco dois, as canções ganham arestas mais agudas e cortantes. You Hurt Me (But I’ve Got So Much More To Give) parece-se com o que deveria constar nas paradas mundiais de sucesso no lugar das adolescentes precocemente sensuais e suas produções inodoras, insípidas e pausterizadas. Heartbeat se transforma em um dínamo kraftwerkiano frenético e movido a vocoder. Wake Up torna-se nervosa e urgente, e My Child passa a lembrar Street Spirit (Fade Out) em sua introdução, e ganah lustro de filme de ficção científica sombrio em suas estrofes. Love Me To Death, renascida, evoca uma inesperada atmosfera de rock lento e rebolante. We All Float se passa em um mercado no Oriente Médio, cercada de criaturas exóticas em gaiolas e o risco iminente de guardas com cimitarras.
O ganho de peso é uniforme, mas algumas canções ganham entranhas mais esparsas, soando perigosamente como Zero Seven em mais de um momento. As mixagens diferenciadas, curiosamente, são boas, provavelmente por terem sido conduzidas pela própria banda. Eles têm êxito onde os remixadores de praxe apenas patinaram, lançando lama e fragmentos de grama despedaçada sobre uma música burilada e elegante.
Como realização, More Sweet Music/No More Sweet Music é o ponto mais alto que uma banda de dissecadores poderia chegar. A percepção pop do Hooverphonic pode não ser uma força pioneira, mas se apropria dos cavalos de batalha de seus contemporâneos geniais com habilidade ímpar: elegantes como vampiros novecentistas, eles flutuam por ambientes decadentes com a distância elevada e digna. Depois disso, temos a seqüência do desanimado Presidents of The LSD Club, que foi o último trabalho com Arnaert. Ela partiu, e a banda procura substituta, pelo que informa o site deles.
Mais?
Hooverphonic: The Magnificent Tree
Hooverphonic: New Stereophonic Sounds
Hooverphonic: Presents Jackie Cane
mas.. mas.. gilvan…
cadê o link pra gente baixar?
tu estás insinuando que isto aqui é um caminho fácil para a putaria p2p? oh!
pior é que eu deveria fazer o serviço completo, disponibilizar link, essas coisas, mas eu estou velho, estou acabado… tens as manhas?
hahahahahaahahahahah
“tás insinuando que isto aqui é um caminho…”…
ahahahah – vou atrás.
gilvan… tsc tsc tsc
vc está do lado das gravadoras. morri.