Hooverphonic: The President of the LSD Golf Club

Poucos discos apresentam o canto do cisne de forma tão didática quanto The President of the LSD Golf Club. A começar pelo título, que soou, para mim e numa primeira instância, como um derivativo de uma banda apagada dos anos noventa, Presidents of USA ou coisa semelhantemente sem graça e metida a engraçada. A obra, apesar de ser resultado de esforço considerável, não chega a decolar.

O último disco do Hooverphonic com sua segunda e mais emblemática vocalista é, sintomaticamente, uma compilação de tudo o que a banda fez em seus anos gloriosos. Tudo bem feito, arranjos gostosos de ouvir, vocais redondos, andamentos encorpados nos momentos em que temática assim solicita, vide Expedition Impossible, teclados a Ray Manzarek, está tudo lá, “lindo, bonito e joiado”, como diria o Falcão.

Ou quase tudo. As introduções, como em 50 Watt, são longas, parece que a vocalista simplesmente não encontra a hora de entrar. A espera do ouvinte deixa evidente o arranjo repetitivo e não exatamente tão inspirado. Os vocais masculinos, atravessados na garganta do segundo álbum, estão aqui, melhorados, mas com um ranço de preenchimento, e não uma brisa de experimentação.

The President é um disco que, entretanto, valeria seu preço unicamente pela pungente balada Circles. Pode ser uma canção de despedida, saindo do círculo, “seguindo em frente”, como declara o refrão. Depois de refinar, em definitivo e duplamente, o manifesto da banda em No More Sweet Music, “seguir em frente” só pode ter um significado. Digno de nota é o tom contínuo de esperança que encharca a tristeza conforme os arranjos evoluem para as paletas grandiosas do final.

Dá para imaginar para onde o Hooverphonic iria depois deste disco; anos sessenta, com certeza, a julgar por The Eclipse Song, que recicla psicodelia hippie com suas tinturas chiques. Outra vertente, entretanto, retorna ao dream-pop do primeiro disco (Stranger) e ao elegante e entediado exercício do estilo Antena Um (Billie). Uma banda perfeitamente ciente da forma, mas sem a chama viva do conteúdo.

Pensando nos atuais caminhos de uma banda de origem semelhante, Goldfrapp, alguém poderia sugerir que o Hooverphonic também se reinventasse para um universo onde os ditames são de Lady Gaga e outras dominatrizes elétricas. A banda belga torce o seu nariz, obviamente, à diluição/distorção de seus conceitos. Dia desses falo do disco novo com a vocalista nova. Se eu conseguir ouvi-lo inteiro. Por ora, prefiro chafurdar na melancolia, por vezes involuntária, deste canto de cisne de Geike Anaert como vocalista de uma das bandas mais classudas que conheço.

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