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Posts Etiquetados ‘brasil’

Osama e Cidade de Deus

Devido a circunstâncias bem azucrinantes de ordem médica, estou recolhido em casa. Uma vez ilhado, ataquei a pilha de livros na prateleira, e, nos intervalos, tenho visto alguns filmes que ficam em outra estante.

Na manhã de quarta-feira, fui de Osama, um exemplar de cinema afegão. Um tanto ingênuo em sua realização, como seria de se esperar em um país sem nenhuma tradição no assunto, o filme tem os méritos óbvios ao denunciar uma situação que os ocidentais não gostam de ver. O que interessa, principalmente ao povo europeu, é o petróleo que se esconde na Ásia, e que poderia passar em oleodutos através das terras afegãs.

O filme é triste, na linha e na intensidade que podemos conferir em Tartarugas Podem Voar, o que poderia definir alguns parâmetros do cinema de países orientais e predominantemente muçulmanos. Desde os primeiros minutos da película, quando as mulheres se insurgem contra as arbitrariedades do talebã, o espectador sabe que nenhum destino será minimamente razoável ou aceitável

Naipaul escreveu sobre o islamismo em países não-árabes, e é um bom complemento a este e outros filmes na mesma temática.

Cidade de Deus, revisto agora, mostra algumas fragilidades. A direção de não-atores, que o Meireles parecia dominar, não era tão boa assim. Nada que inviabilize a fruição deste bom filme, que ainda tem o mérito de ter definido um divisor de águas no cinema nacional. Meireles, por sua vez, cresceu horrores como diretor, então a perspectiva muda de plano.

Nesta segunda passada, saltou à minha vista o destino semelhante de dois bandidos gente-boa. Cabeleira e Bené. Eles Read more…

Cláudio Torres: A Mulher Invisível

22.11.2009 gilvas 6 comentários

 

Ontem, durante o apagão local que se abateu sobre o condomínio Itacorubi II e redondezas, ruminei na escuridão a sessão de cinema nacional pirata que tive na quarta-feira. A Mulher Invisível, que havia sido recomendado por colegas de trabalho, os quais insistiram, inclusive, para que eu o visse. Uma indicação anterior, de Estômago, tinha sido excelente, e deve ser por isso que embarquei na melancólica incompetência que esta pretensa comédia romântica brasileira representa.
O filme é estrelado por Selton Mello, o pau-para-toda-obra do cinema brasileiro, e isto se aplica ao cinemão derivativo dos novelões da Globo e também a certas hipérboles irônicas que compõem um possível cinema independente de produção tupiniquim. Lá na capa está Luana Piovani, fetiche de meio Brasil, e que, convenhamos, não é lá tudo aquilo que os fãs gostariam que fosse, a ponto de ser possível teorizar que o Dado Dolabella tenha se sentido enganado mesmo. Read more…

Gonsales

05.02.2009 gilvas 1 comentário

Dos cartunistas brilhantes dos anos oitenta, pouco restou. O Angeli parou de freqüentar a noite, onde observava os tipinhos inúteis que tão bem retratava, e passou a ser movida a nostalgia e senso comum, com poucos momentos a destacar na produção atual. O Laerte, de cara o mais prolífico, se encaminhou por tiras e personagens cada vez mais herméticos, numa espécie de transcrição gráfica existencialista onde o humor é um traço fino. Do Glauco eu nunca gostei. E tem o Gonsales. Read more…

Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados

30.10.2008 gilvas 4 comentários

Um dos meus dilemas de imparcialidade ao apreciar obras de literatura é o da identificação. Entre gostar de algo não tão bom porque me identifico ou não gostar de algo não tão ruim porque não me identifico, fica um abismo suburbano de dúvida existencial. Certamente não importo em ser taxado de bobo ou deslumbrado por bater palmas para aquele romance cujo protagonista tem coisas em comum comigo; o que me corrói é a sensação de estar perdendo a apreciação de uma obra apenas porque não consigo me conectar a ela. Read more…

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Vitor Ramil: Pequod

Vitor Ramil é um cara respeitoso. Ele é do tipo que conhece a fundo seus heróis, e seus heróis são o tipo de caras que habitariam romances tão grandiosos quanto os que escreveram. Mesmo que não tenham escrito romances, como é o caso do ser fantástico conhecido nestas plagas como Borges, um dos estilos heróicos plenamente discerníveis dentro de Pequod. Read more…

Wado e o Império dos Cantores Fanhos

24.04.2008 gilvas 1 comentário

Wado sofre um dilema cruel: é um artista mais falado do que ouvido. Eu explico: a despeito da infinidade de resenhas na imprensa indie brasileira, o músico não possui, pelos indicadores que eu observo, muita audiência. Quer um exemplo? Dá uma olhada no LastFM, e tu vais ver que Wado, apesar da música de excelente qualidade que produz, anda abaixo de trinta mil audições.

Existem outros fatores e outras medições, é claro, mas não se pode negar o fato de que Wado não penetrou, ainda, o mercado brasileiro além do gueto independente, este que mais fala do que ouve.

Wado, entretanto, não descansa, trabalha. Lançou um quarto disco excelente, seguindo a linha evolutiva clara traçada nos discos anteriores, onde cada lançamento supera o anterior, sem, no entanto, deixá-lo obsoleto. Terceiro Mundo Festivo traz a equação militância + samba + contemporaneidade ainda mais refinada. Notável a presença do piano, que lidera quase todas as melodias. Read more…

Cláudio Assis: Baixio das Bestas

06.08.2007 gilvas 1 comentário

Sobre o cartaz de Baixio das Bestas, no Cine York, destacava-se um papel, colado com fita adesiva. Escrito à mão, o alerta para a restrição de idade. Esta precaução foi adequada: Baixio das Bestas é um filme indigesto. E as pessoas leram: dos poucos espectadores da sessão noturna de domingo, nenhum deixou a sala. Diferente de uma sessão de Cidade de Deus no Beira-Mar, onde várias pessoas deixaram a sala na altura em que o guri tem de escolhar tiros na mão ou no pé. Baixio das Bestas mostra ao menos dois estupros e uma empalação monstruosa, o que o coloca em outro patamar de embrulho de estômagos sensíveis. Read more…

Sérgio Machado: Cidade Baixa

02.02.2006 gilvas 2 comentários

Cidade Baixa entra na tela como um soco na sua cara, mas fica indeciso após o nocaute. A hora e meia que se segue trafega pelas vielas de Salvador, entre paredes descascadas de um branco esquecido entre infiltrações, insone de uma verve shakespeareana das mais básicas.

Irmão lança-se contra irmão, numa epopéia que a Lilith entende e não deseja manter, mas mantém, porque não existe fuga num país como o Brasil, onde a pobreza oprime mas não dá o golpe de misericórdia. Read more…

Joel Zito Araújo: As Filhas do Vento

01.12.2005 gilvas 2 comentários
Curso de Atuação do IUB Again

Minhas crianças, o fim, como já foi noticiado aqui, aproxima-se a passadas largas, e Filhas do Vento é um dos arautos. Vale ressaltar que eu assisti a este filme logo depois de Filhos de Francisco, o que deveria, via de regra, baixar meus critérios estéticos; mantenha isto em mente. Read more…

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Breno Silveira: Dois Filhos de Francisco

30.11.2005 gilvas 6 comentários

Curso de Atuação do IUB

Esta coluna assume hoje um papel especial, desmistificador, e que pode salvar o leitor incauto de comprar uma falsa premissa ofertada abundantemente na mídia. E o fará de forma rápida: não assista a Dois Filhos de Francisco!

Agora, quem tem paciência, pode continuar lendo as abobrinhas complementares.

Muito falou-se da qualidade do filme, a despeito do produto final, e aí é que mora o problema. Por conta de uma baixa expectativa inicial, vários críticos acabaram achando Dois Filhos de Francisco “não tão ruim assim”, mas faltou alguém informá-los de que “não tão ruim assim” ainda precisa de muito feijão para chegar a “razoável”.

E ruindade não falta em Dois Filhos de Francisco. Vamos por partes:

O argumento já não é grande coisa, dado que a história contém tragédias comuns a famílias do mesmo extrato social da dupla. Colocando como referência, em Ray, cinebiografia de Ray Charles, por exemplo, há muito mais material para o roteirista trabalhar. Existe a mística da cegueira, a morte do irmão, o racismo sulista, as drogas, os casos amorosos. Nosso equivalente nacional mostra amor incondicional, família unida, uma ou outra cerveja, e dramas familiares mais próximas do trivial. Read more…