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Posts Etiquetados ‘cinema independente’

Jason Reitman: Juno

11.04.2008 gilvas 3 comentários

Se adolescentes disfuncionais ianques fossem realmente interessantes, provavelmente teríamos suas fotos em enciclopédias, e não apenas em seus fotologs. Obviamente, esta não é opinião do diretor de Juno, sucessora de Miss Sunshine em meu desgosto com o cinema indie dos irmãos do Norte.

A abertura escancara um visual metido a inteligente em um estilo displicente, uma animação que se situa, num esquema de engenharia reversa, entre Waking Life e algum programa da TV Educativa que eu não costumo assistir. Juno, já sabemos, é, oh, tão diferente das outras adolescentes. Ah, ela usa Converse. Como todo mundo, você sabe. Read more…

David Slade: Hard Candy

Quase vejo o Colimério nesta...

Terrível ter de frustrar uma expectativa negativa logo em um dia em qual eu estava com vontade de apedrejar algum filmezinho pseudoalternativo americano. E olha que a perspectiva era boa, a começar pela tradução patética do título, que passou de Hard Candy para Menina Má.com, algo tão pouco imaginativo quanto torturar pessoas com óleo fervendo.

E o lance do filme é isso mesmo: tortura. Uma hora e meia e pouco de tortura. Hayley, se é que é este enfim o nome da criaturinha sádica, avacalha a existência de um fotógrafo trintão que a convida para sair em uma sala de bate-papo internético. Read more…

Hany Abu-Assad: Paradise Now

bum

Minha expectativa, enquanto entrava na sala do cinema do CIC, era a de mais um filme folclórico, filmado em um campo de refugiados, ou em uma localidade distante. As locações remotas são uma constante nas películas do universo árabe e do universo palestino. Elas realçam o aspecto poético, e rendem bons filmes. Read more…

Bennett Miller: Capote

12.04.2006 gilvas 4 comentários
angolista

As árvores são recortadas de cinza em suas formas seca no Kansas que Truman Capote visita. Apesar do óbvio descritivo, é difícil encontrar nele o que Morrissey parecia adorar, a ponto de adornar uma capa de compacto com ele.

Nunca vou saber se Truman Capote é afeminado como faz crer Philip Seymour Hoffman. Posso acreditar que ele seja afetado; é sempre fácil acreditar em escritores afetados. Falam tanto da interpretação de Hoffman neste filme, e eu vejo que ele fez um grande trabalho ao não ser Hoffman, embora um certo ar de crítico implacável tenha lhe restado das encarnações dos filmes anteriores; garotos meio gordos parecem ser sempre assim. Read more…

21 Grams

05.03.2004 gilvas 2 comentários
...

Na mesa, o pão delicioso, sobre o qual deita-se a manteiga, quase lasciva sob as fatias grossas de queijo. Mordo o pedaço de salame, mastigo o pão ainda quente, agradeço enquanto ela dorme.

Iñarritu filma com vísceras, alimenta o espectador com sangue, cortes, agulhas, pele de velho, dobras de couro, queimaduras que se elucidam em pus. Sua fotografia explode em granulação e saturação sobre as locações porcas cuidadosamente escolhidas. Iñaritu dorme em um leito cirúrgico, como em um eterno episódio de Plantão Médico. Seu filme sofre de sonhos acordados, cirúrgicos e obsessivos.

É difícil encontrar uma cigarra. Em dias de Sol forte, elas berram grudadas a algum tronco. É um berro difuso, que nos deixa bobos, correndo na grama, buscando nas cascas cismadas uma pista. Quando a vemos, é uma mosca gigante, com reflexos nas asas, e nos perguntamos se ela pode voar, e quase sabemos a resposta. Read more…

Dois Filmes

13.10.2003 gilvas 2 comentários
tédio independente americano

Personal Velocity, traduzido em português como O Tempo de Cada Um guarda algumas semelhanças com Virgens Suicidas, começando pela origem da realizadora, e terminando no tema: a Mulher, este desconhecido.

São três histórias distintas, levemente amarradas por um evento comum, quase como em Amores Perros. A diferença para o filme mexicano é que este último era bom. Rebecca Miller conduz um filme baseado totalmente em alguma cartilha do cinema independente americano, e não deixa escapar nenhum dos clichês do estilo, a começar pelo tratamento em câmera digital, uma solução para os baixos orçamentos do gênero. O resultado é uma sucessão de cenas previsíveis e um didatismo entediante. Read more…

Dois filmes de terça

24.09.2003 gilvas 1 comentário
Perfeição na Sujeira

Desmundo surpreende duas vezes.

A primeira vez é pela qualidade. A produção é primorosa, a direção é firme, a atuação dos globais é soberba, a língua rude é convincente, o som é muito bom, a trilha não desafina do tom geral, e a fotografia é bela.

A segunda vez é pela sensação nula que desperta. O filme é frio, e caminha indiferente como a protagonista nas últimas cenas do filme. Uma certa impunidade dramática percorre a trama, amordaçando as cenas, que se debatem em vão, tentando livrar-se de uma linearidade sufocante. Read more…