Sentado na cadeira do consultório, Marco fecha os olhos, como nas sessões anteriores. O terapeuta mexe nos óculos, e aperta o botão. O barulho da fita tranqüiliza Marco, que sente-se, por um instante, fitando o interior de suas pálpebras. Marco começa a falar.
“Eles chegaram em algum dia disperso. Eu estava disperso, eles chegaram, e eu não saberia dizer exatamente como. Eu vi que pulavam o muro de trás de casa, e sabia que isso iria ocorrer, bastante tempo antes. Assim, tive tempo de se preparar, e sair pela porta da frente. Olhei para trás ainda uma vez, e vi que eles estavam circulando pelas calçadas da frente de casa, entrando também pelo portão.”
“Como eles eram? Como eles são, ora, eu fecho os olhos, e eles estão lá. Eu nunca mais voltei para minha casa. Ah, sim, eu conto. Eles são grandes, mais altos do que eu ou você. Têm cabeções arredondados, e olhos que lhes ocupam mais da metade do rosto. Eu os vi de longe, mas sei de quase tudo; eles são muito indiscretos, sentiam-se à vontade quando invadiram minha casa. E as dos vizinhos, imagino; Read more…
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