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Posts Etiquetados ‘japão’

Dois discos para ficar de bode

02.10.2009 gilvas 2 comentários

Esta semana promete ser de nuvens. E das cinzentas. Muitas. Persistentes, ainda que o vento tente levá-las. Semana perfeita, enfim, para desencavar alguns exemplares de post-rock da minha discoteca, e passar o resto do dia de bode.

Começamos com Mono, cujo Walking Cloud and Deep Red Sky, Flag Fluttered and the Sun Shined é um dos prediletos da casa. Encontrei este disco quando estava procurando por gravações do technopop farofa oitentista tardio Red Flag; acabei curtindo o Mono, e mandando o Red Flag passear, tal a ruindade do que encontrei. Walking Cloud and Deep Red Sky, Flag Fluttered and the Sun Shined, apesar do título quilométrico, não é assustador; é perfeito para dias reflexivos e cinzentos. Read more…

Missô

17.08.2009 gilvas 7 comentários

Descobri o missoshiro através de um equívoco no pedido de um prato no restaurante Sushiyama, quando este ainda se localizava de um hotel no Canto da Lagoa. Bela vista, belo local. Imaginem qual não foi minha surpresa ao ver o garçom me servir aquela tigelinha de, uhm, sopa? Cebolinha e tofu se esgueiravam no meio do líquido em tons de marrom, e, para dissipar qualquer suspeita sobre minha óbvia jequice, pus-me a devorar a iguaria com ares de entendido. Assim, eu, que nunca fui de gostar de sopas e caldos, adquiri o costume de pedir este prato quando de minhas incursões a restaurantes japoneses. Read more…

Haikai

28.11.2005 gilvas 2 comentários

tea drop

Na terra do Sol
Nenhuma em mil gotas
Resiste no chá

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Walter Salles: Dark Water

10.11.2005 gilvas 3 comentários
confessa, isso arrepia

O filão dos filmes de suspense sobrenatural é um nicho de espectadores bastante específicos, de modo que os narizes torcidos ao trabalho de Walter Salles em Dark Water precisam de análise bastante acurada para escaparem ao espectro da injustiça.

A primeira impressão deixada ao assistir-se a película é a de que não se pode chamar Salles de incompetente, ao menos no que tange ao aspecto técnico da direção. Quem aprecia o gênero vai encontrar tudo certinho, todos os elementos necessários:
- Uma ilha sinistra, com o bônus do teleférico vertiginoso, na abertura e no final;
- Um apartamento sinistro, providenciado pela situação bem pouco confortável dos ianques brancos de classe média baixa despencando;
- Um zelador tosco e mal humorado;
- Um apartamento no penúltimo andar;
- Um vizinho desaparecido russo;
- Chuva, meu deus, chuva a dar com o pau, que só pára quando surge a revelação do mistério; Read more…

Hirokazu Koreeda: Dare Mo Shiranai

14.10.2005 gilvas 4 comentários
fog

Floripa hoje resolveu anoitecer dissonante. Executando notas perdidas diante da janela, percebo isso, dado que tanto a névoa sobre as casas quer acompanhar as notas de sonoridade difícil que parecem, por assim dizer, afinadas.

As folhas da amendoeira cresceram como loucas, e já mostram pistas de como serão quando estiverem grandes. Serão outras, e fico feliz de não lembrar direito como elas eram na estação passada. Se lembrasse, mesmo que fosse um devaneio, seria dar pouco valor à beleza das vindouras. Read more…

Blonde Redhead: Misery is a Butterfly

28.09.2004 gilvas 2 comentários

Sua voz de menina deslocada é sufocada sobre uma massa ondulante de percussão trotante, cordas e bases rítmicas tímidas. Assim começa. Assim segue. Como se os álbuns na 4AD fossem dados ao gosto das atmosferas esparsas e oníricas, Misery is a Butterfly é o primeiro do Blonde Redhead na antiga gravadora de nomes tão díspares quanto Pixies e os primeiros do Clan of Xymox, foge pelas grades do seu som característico mais guitarreiro. As superfícies do planeta sonoro do Blonde Redhead são acessíveis, mas, por baixo delas, fluem ondas intrincadas de camadas fluidas. Read more…

Diálogos Imaginários

02.06.2004 gilvas 2 comentários

- Foi fofo, não?

- É, eu achei. Tudo tão bonito, tão cheio de vida, a fotografia cheia daquelas sombras, uma saturação ensaiando-se pelas bordas do fotograma…

- Estamos poéticos hoje, ein?

- …

- Eu gosto do jeito do cinema independente americano. Tão moderno, tão descompromissado. Viu as pernas dela? De verdade, com a celulite e tudo mais. E o marido era um completo babaca.

- Pelo menos o romance foi perfeito. Read more…

Takeshi Kitano: Dolls

07.11.2003 gilvas 5 comentários

dolls

Este filme japonês trata daquilo que a dupla canhestra Sandy e Júnior diria que “não acaba no final”, ou seja, o tal do amor imortal, ou amor eterno.

As primeiras pistas do intento dão-se pelo teatro Nô apresentado no começo da fita, dando-nos a certeza de que estamos diante de um genuíno produto nipônico, e que devemos preparar nossa percepção para tal situação.

A percepção oriental é muito diferente da nossa, e isso fica claro em várias passagens do filme. Existem detalhes que poderiam ser bem mais sutis, principalmente nos desfechos que exigem dedução de informações advindas da imagem. Por outro lado, existem momentos que são muito rápidos, detalhes minúsculos, que apenas o olhar nipônico consegue apreender completamente. Ou nem isso, vai saber. Read more…