Pixels Demais

lou ferrigno é muito melhor!

Numa daquelas célebres passadas pela frente da TV, acabei assistindo ao trailer do filme do Hulk.

Olhei extasiado, com uma ponta de nostalgia, relembrando o seriado dos idos de oitenta, onde Lou Ferrigno fazia as vezes do alucinado e devastador ser verde, também conhecido como “O Mortal mais Poderoso da Terra” entre os fãs da Marvel Comics. O cientista chamava-se David Banner em lugar do Robert Bruce Banner dos quadrinhos; ouvi dizer, certa vez, que isso ocorria porque a produtora do seriado não considerava o nome original muito másculo. Coisa estranha considerando-se que a disco era moda na época.

Voltando ao filme, este parece ter uma boa dose de adrenalina, mas falha tristemente na apresentação do monstro verde, que surge como um efeito eletrônico. Um efeito eletrônico rápido, enorme, musculoso, e frio como um amontoado de pixels.

Que impacto terá um amontoado de pixels? Lou Ferrigno encarnava o fio da navalha, uma criatura de Frankenstein mesclada ao Jekyl & Hyde de Stevenson, a perversa outra face do cientificismo desenfreado. O monstro de Ferrigno podia matar ou salvar, e tudo dependia de um capricho, de um instante, uma pequena perturbação para gerar o caos total por uma criatura gestada em raios gama. A expressão abobalhada de Ferrigno trazia ingenuidade e ferocidade, a expressão clara deste fio da navalha, deste julgamento instantâneo.

O que resta na nova versão, este animatronic perversamente mortiço, apagado? Talvez a geração playstation goste, assim como gostou de ver os enchimentos de Angelina Jolie enchendo um filme onde não havia roteiro. Mas, para mim, não há nada lá.

Por isso demonstro meu apreço a Gangues de Nova Iorque, apesar de suas doses de previsibilidade róliudiana; talvez nunca mais vejamos um épico assim, feito à mão, por artesãos. Os anos passarão, e o Bryce nunca substituirá o ser humano no cinema.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Pixels Demais

  1. humberto mac disse:

    ah, gilvas, eu acho que deve ser legal! que história é essa de gongar a geração play station? eu sei que o senhor gosta de super mario world!

    😉

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