O Velhinho Barbudo

G.H. apega-se a suas valises, as quais ostentam as iniciais “G.H.”, e que a confortam, referenciam neste mundo em dilúvio. Reparei que não tenho minhas iniciais em nada que me pertença, nada físico, e acabei agradecendo ao Barbudo por isso.

“Barbudo” é um velhinho que mora lá em cima, com um monte de nuvens como se fossem algodões de proporções descomunais. Minha percepção do ridículo impede-me de considerá-lo mais do que uma alegoria, mas isso é bem suficiente para mim.

No derradeiro encontro, eu falei do Barbudo para ela. O semblante dela encheu-se de surpresa, e ela me indagou “desde quando eu acreditava em Deus”. Meu silêncio, alguns segundos inexprimíveis. Ela diz que “achava que eu fosse ateu.”

Eu digo que “sou agnóstico”, mas minha mente já não está mais ali; meus pensamentos recaem sobre o quanto nós pensamos que uma pessoa nos conhece. Parece tanto, mas daí você descobre que ela nem sabia que você apenas não se importa com deuses, e que permite que eles fiquem lá, em suas cidades de luz, em seus olimpos, em suas asgards, em seus panteões divinos.

O Velhinho Barbudo pode ser qualquer coisa, qualquer imagem que possa metaforizar o imetaforizável, conceber o inconcebível, limitar o infinito. Tenha a cara que tiver, nunca divisaremos nem um mínimo excerpto de sua natureza.

Mas eu não penso nisso; apenas queria ser menos obscuro.

(…)

Como é o teu Velhinho Barbudo?

Anúncios

Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Impressões e marcado , , , , , . Guardar link permanente.