Wachovski Bros: Matrix Reloaded

Este filme marca a decisão dos Irmãos Wachovski em deixar a possibilidade de Matrix ser o Blade Runner dos anos noventa, em troca de ser o Star Wars do novo século. Este enfoque traz para o filme uma estética de atualidade, em contraponto ao clima noir do filme de Ridley Scott, e bem mais afeito ao figurino envelhecível, que marca a obra de George Lucas.

Sintomática é a tomada da estética de videogame, clara em suas divisões de fases e chefes de fase. Assim como nos jogos eletrônicos, existe uma base filosófica, uma história, mas ela serve apenas para não nos sentirmos mal por estarmos vendo um simples filme de ação. Extrapolando o conceito, podemos chegar aos roteiros paupérrimos e risíveis do cinema pornô, mas isso é assunto para outra hora. Sobre este filme, o diretor não conseguiu dosar a duração das cenas de ação, e tudo acabou ficando meio burocrático e frio.

A história é recheada de lições de livros de auto-ajuda, bem ao gosto da salada religiosa que tanto apreciam os americanos da nova era. A filosofia de almanaque impera, e meu único insight durante a exibição se deu durante a, longa demais, perseguição pelo trânsito; eu já não conseguia mais discernir o que era feito por atores, e o que era inserção digital, e a ironia da realização contraposta ao conceito realidade versus realidade do filme conseguiu arejar algumas idéias. O resto é bobagem. Divertida, porém ainda bobagem.

O roteiro não é bem amarrado como o primeiro, e sobram incongruências e momentos não aproveitados. Aliás, mal aproveitado é o Agente Smith, que ganhou um papel que sintetiza a estratégia de encheção de lingüiça do filme.

E estratégia é a palavra-chave do filme. Ele ganhou exposição em praticamente todas as revistas semanais, e até em revistas ditas informativas, como a Superinteressante, onde foi vendido como possuidor de uma profundidade com a qual os diretores nem sequer podem sonhar.

Enfim, Matrix Reloaded é um belo aperitivo visual, lindo de morrer, mas não passa de um belíssimo balão, preenchido por gases vulgares. Sem duplo sentido.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Wachovski Bros: Matrix Reloaded

  1. Pingback: Denis Villeneuve: Blade Runner 2049 | sinestesia

  2. humberto mac disse:

    hahahahahahah, eu adoro que quando vc avacalha alguma coisa, vc faz de uma maneira muito fina e divertida:

    “Aliás, mal aproveitado é o Agente Smith, que ganhou um papel que sintetiza a estratégia de encheção de lingüiça do filme.”

    gilvas…

    o primeiro é melhor sem dúvida. mas gostei tanto das cenas de luta. fiquei brincando de luta com um colega da faculdade até. oh, shame on me!

  3. Rrudrigo disse:

    Concordo com vc, sr. Gilvan. Tenho exatamente a mesma opiniao sobre o filme.

    Quanto a superdifusao do filme nas revistas semanais: Nao sei se vc chegou a ver uma ediçao especial da Zero (que nao eh semanal) sobre o Matrix. Lamentavel.

    E diria o Fabio que a história é recheada de lições de livros de administracao e nao de auto-ajuda. Heheehehhe.

    Um Abraco.

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