Ontem, Sessão Dupla

Frida é exatamente o que eu esperava, e isto significa que assisti um filme sobre um ícone do confusionista feminismo dos anos noventa. Salma Hayek demonstra um amor infinito por Frida ao nos presentear com a melhor interpretação de sua duvidosa carreira, desfilando sua pequena e sinuosa silhueta ao lado da versão chicana de Sérgio Reis, que encarna o grande muralista Diego Rivera.

Rivera, como era de se esperar, é o coadjuvante do filme, apesar de ser muito mais famoso na época, como pode-se notar nas entrelinhas. Como em quase todo filme gringo, porém, temos um certo andamento previsível, até videoclipesco em certas passagens, com exceção para as interessantes passagens de animação, que explicam certas passagens da vida da pintora mexicana.

11.09.2001 é um belo mosaico de culturas, calcado nas impressões de povos diversos sobre o episódio da destruição das torres em Nova Iorque. Uma poesia, por vezes cáustica, permeia os episódios.

Um dos enfoques tomados nos onze curtas é o do distanciamento do epicentro do acontecimento. Crianças afegãs refugiadas no Irã, muito fofas, por sinal, são informadas sobre o ocorrido, mas não conseguem considerá-lo importante diante de uma tragédia local. Assim é na Bósnia-Herzegovina, com a manifestação das mulheres desabrigadas pela guerra.

Ernest Borgnine também está alheio, sofrendo com a sombra que restou de sua esposa morta. Uma repórter israelense se irrita por não poder mostrar mais um atentado em Tel Aviv. Meninos africanos encontram em Bin Laden a salvação de milhões de pessoas, mas o perdem, num episódio que explora um humor sutil.

Outro enfoque busca mostrar o sofrimento que os americanos causam, com seu ápice no episódio inglês, que mostra as mazelas causadas pela ditadura chilena criada por Kissinger através do olhar de um exilado. O cineasta egípcio usa mote semelhante, apresentando um soldado e um terrorista mortos, abusando um pouco da verborragia.

O último episódio é japonês, e é o mais poético de todos. A ocasião é a segunda guerra, e a ação está centrada em um soldado japonês que sucumbe aos horrores da guerra, e resolve deixar de ser humano; transforma-se em uma cobra. O protagonista consegue ser convicente em seu papel bizarro, e anche de beleza a dor, sua e de seus parentes.

Ao final, volta a serpente sob a cachoeira, e demonstra aquele esquisito humor japonês, declamando: “Não existe esse negócio de guerra santa”.

.:.

Frida é diversão. 11.09.2001 é muito mais do que isso.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Ontem, Sessão Dupla

  1. isa disse:

    gilvas

    vc é um ser absolutamente poético mesmo, só pode!
    eu saí do filme pensando no quanto os japoneses conseguem ser estranhos, isso sim!pra não dizer sem noção!
    o que foi aquilo heim?
    tipo.. ah, nem sei oq dizer…
    bom, teremos oportunidade de falar sobre isso..hehe

    bejocas!

  2. humberto mac disse:

    PUTA QUE PARIUUUUUUUUUU! como o 11.09.2001 deve ser legal!!!!!! unhéeeeeeeeeee. gilvas, bem que vc podia me chamar para ir no cinema com os maracas, né?

  3. lalai disse:

    Eu não gostei tanto de Frida… acho que no meu caso eu esperei demais. Achei que a Frida estava muito menos intensa do que ela realmente foi!

    bitoca

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