Jorge Furtado: O Homem que Copiava

Este filme segue na mesma linha de Durval Discos, a saber, uma comédia levemente subitamente trespassada de elementos de suspense policialesco.

A diferença reside no fato de Furtado ter sido muito feliz na execução. A trama, aparentemente frágil, sustenta-se com saídas espertas de situações aparentemente insolúveis. A falta de verossimilhança torna-se aceitável quando surgem desfechos espertos como o dado a Feitosa, ou como a razão de ter sido deixada a galinha dentro do armário. Tudo isso, porém, sem cair no didatismo dos filmes americanos, destinados a náscios de carteirinha, que precisam de destrinchamento cirúrgico em qualquer cena que exija QI superior ao de uma ostra com aneurisma.

Parte do sucesso está na meticulosa escolha das referências que populam o roteiro introspectivo e despretensioso. De Amélie Poulain, o microcosmo do quarto da mocinha e sua face maquivélica e realista surgindo por baixo da fofura lo-fi. De Beleza Americana, a crônica das estruturas podres do subúrbio, e ainda o ímpeto de assassinato sob a face doce como uma saída para uma situação enojante. São apenas dois exemplos.

Sobre os méritos dramáticos, cabe ressaltar o desempenho de Lázaro Ramos, bem diferente do Madame Satã, do qual guarda apenas um certo tom afeminado, o que soa estranho em várias passagens. O restante do elenco está bem enquadrado em papéis que lhe são familiares; o mérito em seus papéis típicos é discutível, mas eles não comprometem.

A fotografia também não foge do trivial. O som, todavia, estava horrível. Várias falas de Lázaro Ramos, de voz mais grave, tinham sua compreensão dificultada. Eu não consegui definir se era um problema do cinema do CIC, ou uma deficiência do som original.

Enfim, o que ganha o espectador em O Homem que Copiava é o roteiro bem costurado, e as excelentes tiradas nos diálogos, quase como acontecia em Separações, outro filme nacional despretensioso e de feliz execução.

***

PS1: eu sabia que a galinha tinha de se dar bem; afinal, era um filme fofo;

PS2: quase estragaram tudo com aquela cena do elenco principal reunido sob o Corcovado; tive a desagradável lembrança de tratar-se de um filme da Globo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Jorge Furtado: O Homem que Copiava

  1. Walkiria disse:

    Creio que o som do filme estava mesmo problemático no início… também não consegui ouvir muito nas primeiras linhas…

    Mas em nada diminuiu o 10 do filme…

    E viva la penosa !

  2. Bina disse:

    o filme é ótimo mesmo!

    e o fabito disse q tu nem notou qd apareceu meu conterrâneo leão marinho na tv! humpf! minha cidade não vive só de lavar *pingüins*, viu? 🙂

    e o som do cic é q tava ruim… não tive problemas pra entender as falas.

    beijo!

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