Gato Negro

O Chile possui vinhos muitos interessantes. Um deles chama-se Gato Negro. Aguardem uns instantes enquanto procuro a garrafa para informar o varietal do menino em questão…

Bom, ele é um Carmenére, e deixou meus dentes pretos. Sério. E estou considerando bebê-lo até o fim da garrafa, e isso me diverte deveras. Quase tanto quanto o Beethoven que sai das caixinhas desta microla aqui.

Todavia, devo ater ao assunto que me trouxe aqui. Eu anotei o assunto em um daqueles retângulos amarelinhos da 3M, aqueles que têm um nome, mas que eu não vou digitar, pois estou com preguiça de acionar o itálico desta naba aqui.

Começo a pensar que os escritores, aqueles do estereótipo, realmente têm alguma razão para se fazerem acompanhar de uma boa garrafa de bom vinho, não necessariamente nessa ordem. E o mais legal é esta linha inteira ter sido digitada inteira sem nenhuma correção ortográfica póstuma. Ops!

Eu vim falar de coisas rosas hoje. Minto. Elas não são rosas, elas apenas parecem rosas, pois vêm embaladas em uma embalagem rosa. Mas elas são brancas, e elas são as pipocas xexelentas.

Falo daquelas pipocas torradas, vendidas em mercearias de reputação duvidosa, ou claramente constrangedoras, como convém aos bons botecos. Opa! Este vinho é bom demais.

Penso em como uma pessoa poderia efetivamente se intoxicar com vinho. Não deve haver um modo de isso acontecer; o vinho é uma bebida divina. Pelo menos quando não vem em garrafões, ou garrafas com tampinhas, ou garrafas azuis. Diabos, alguém deveria impedir a existência daqueles vinhos de garrafa azul e nomes em alemão suspeito.

Vocês já repararam como “ébrio” soa bem? É uma palavra bonita, e eu não consigo qualificá-la como oxítona ou paróxitona ou o que for, e isso é um sintoma claro de que me tornei um. Macacos me mordam se Baco não estava com a razão o tempo todo!

Pipocas Xexelentas! Este era o assunto. Antes que eu me perca, querendo estar ouvindo The Drinking Song, uma maravilha da arte irlandesa de criar canções, vou falar de minha idolatria por pipocas xexelentas.

Elas são torradas, como eu disse no parágrafo lá de cima. Mas isso não é muito relevante na apreciação estética destas maravilhas da pop art. E saiu um itálico!

O mais interessante das pipocas xexelentas é a possibilidade de aproveitar a arbitrariedade da vida em toda a sua grandiosidade. Aliás, grandiosidade é a do velho barbudo, que nos permite escrever palavras com mais de dez letras mesmo depois de vários copos de uma concentração considerável de álcool. Eu queria mandar uma para o Santo, mas este vinho vai acabar manchando o piso branco aqui de casa.

Sim, as pipocas xexelentas! Você come diversas delas, e todas têm aquele gosto amorfo de milho torrado e explodido, como se estivessem em uma comuna soviética nos cafundós da Ucrânia em 1976. Sex Pistols, nem pensar. E é quando ela surge, bem no meio da Guerra Fria: aquela pipoca doce, que invade suas papilas com a sensação de que existe, enfim, um Deus, e ele gosta de usar calça Jeans. Ou grandes lençóis brancos imaculados com amaciante de marcas conhecidas. E também de piano, que agora é um Chopin, e eu penso em como uma coletânea de piano romântico pode custar apenas cinco pilas, e ir tão bem com um vinho de doze pilas.

Um brinde ao Chile, às pipocas xexelentas e aos compositores de peças intrigantes ao piano. Banzai!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Gato Negro

  1. André HP disse:

    Adorei as metalinguagens.

  2. Walkiria disse:

    …e foi em tuas idéias que descobri o ar todo especial das pipocas-supresa…
    … “guloseimas” que interpolam conversas entre uma aula e outra… uma piada grotesca e outra…
    … meus parceiros de “escolinha” já aprenderam…
    … chegam para a “tia” da cantina e pedem :
    – Me vê uma pipoca xexelenta…

    Bacci…

  3. Fabito disse:

    Alguém deveria impedir os vinhos de vir naquelas garrafas azuis…

    Deveriam impedir aqueles nomes alemães nos vinhos…

    Mas, principalmente, alguém deveria impedir o Gilvan de chegar perto do computador quando estiver embriagado!

    😛

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