Possibilidades ocultas da novela das oito

I See Dead People!!!

Sou um crítico contínuo das limitações a que se entrega a programação televisiva. Todavia, seria injusto apenas mandar pedras na vidraça, sem apontar soluções plausíveis para o estado insosso dos programas.

Não se faz necessário um programa da grade educativa para mostrar boas idéias dramatúrgicas, de modo que podemos tomar como base a atual novela da oito. Mulheres Apaixonadas possui uma alta densidade de possibilidades criativas, mas sempre esbarra em uma certa censura dos telespectadores.

Desta forma, as meninas lésbicas não podem se beijar, e fica uma lenga lenga moralista no ar, como aquela do tiroteio, onde se amplifica o medo nas metrópoles, incentivando os pedidos de punição e repressão, como se isso pudesse solucionar um problema que tem origem na condição social. Neste ponto, a Globo tem sido mais conservadora do que seu público, dado a esconder suas mazelas sociais em penitenciárias.

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Outro ponto que observo constantemente é a relação entre empregadas e patroas nas novelas. Como a maior das relações mostradas nas novelas, estas são falsas e idealizadas, justificando a imobilidade das posições sociais.

No caso da personagem de Helena Ranaldi, a empregada surge como se fosse sua consciência. A forma como ela aparece em determinadas cenas reforça este caráter. A doméstica está na sombra, atrás de Ranaldi, mas em foco no plano, e suas falas acompanham a reflexão de sua patroa. O assunto é o perigo que corre o amante de Ranaldi, exposto à crueldade do marido dela. Enquanto o menino, com seu olhar arregalado de perereca, está na banheira se recuperando de uma surra do clone do Tom Hanks, a doméstica questiona a responsabilidade de Ranaldi.

Nesta cena, enxerguei uma saída para o roteiro, que poderia fazer desta novelinha chinfrim algo digno de nota. Já repararam como doméstica de novela nunca faz nada? Estão sempre espanando alguma coisa, ou falando da vida da patroa, estando a última presente ou não.

Desta forma, é simples enxertar um final interessante para a doméstica da Helena Ranaldi, usando o truque que faz o filme Sexto Sentido parecer algo bom. Pegaram o espírito da coisa? “Espírito”, manja?

Isso! A empregada da Helena Ranaldi nunca existiu; ela é apenas a amiga imaginária dela, que faz as vezes de consciência da professorinha de educação física com vocação para mulher de malandro!!!

Seria uma excelente saída, e, de quebra, faria o autor escapar de ter de explicar porque uma mulher, sozinha e de recursos limitados, tem uma empregada doméstica. Diabos, ela é uma professora, e todos sabem quanto ganha uma professora!

Que tal essa, Manoel Carlos?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Possibilidades ocultas da novela das oito

  1. Walkiria disse:

    Só mesmo você para traduzir, com a devida clareza e inteligência, os mistérios do pequeno Manoel…

    Até surgiu uma vontade de assistir à novelinha, para desfrutar desses detalhes captados por seu olhar atento e deveras perspicaz…

    Bacci…

  2. humberto mac disse:

    que idéia ótma! ahahahaha, só te imagino vendo essa novela por causa da rinaldona.

    mas novela é um formato falido. nao tem jeito. eles pesquisam a opinião do público mongo, né? e somado ao conversadorismo da globo, como vc falou…

  3. Dé disse:

    Essa idéia só podia ter vindo da sua cabecinha mesmo!!… hehehe…

    Um beijo, Dé.

  4. sol disse:

    haha, acho que a única coisa a ser feita é, de fato, concordar.

    beijos procê.

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