Spike Lee: A Última Noite

Subtítulo: De Como Spike Lee Mudou seu Foco Racial e Foi Muuuito Feliz.

Monty, this seem strange to me, the movies has that movie thing” R.E.M., em “Monty Got a Raw Deal”.

Montgomery Brogan recebe uma dose massiva de inevitabilidade, na forma de uma temporada anunciada de sete anos na prisão, onde sua cara bonita de Edward Norton poderá lhe render muitos relacionamentos indesejados. Esse efeito pode ser amplificado pelo fato de que ele namora a deliciosa Naturelle Rivera, porto-riquenha e de medidas muito interessantes.

Monty possui um pai irlandês pinguço, dono de um bar. Monty possui um amigo irlandês trabalhando com ações, e ele mostra-se o mais improvável e valioso dos amigos. Monty ainda tem mais um amigo da Velha Guarda, o professor que não decide nada em sua vida. Ok, sem novidades nesse setor.

E nem neste. Spike Lee conta uma história de redenção e reencontro, onde os sentimentos mais aparentes são a confiança e a perenidade da amizade masculina. Lee é conservador, cuidadoso. As “espaiquelices” aparecem pouco, quase todas concentradas na análise do alter-ego no espelho no bar de James Brogan. E o filme mostra a habilidade do diretor, com cenas redondas, citações relevantes sobre a queda das torres, culminando, discretamente, em uma canção de amor a Nova Iorque.

O elenco está excelente, e é impossível não ficar passado com a vulgaridade inocente do personagem de Anna Paquin, que anda precisando urgentemente de alinhamento ortodôntico, caso aquilo não seja efeito de maquiagem.

A fotografia segue o padrão conservador da direção, e mostra-se muito apropriada. E os diálogos! Sem apelar para as facilidades do mundo pós-Pulp Fiction, Lee constrói seus palavrórios incisivos com habilidade e graça, implementando uma dimensão suplementar na interpretação dos atores em lugar de apenas corroborá-la. As passagens do professor e da aluna são clássicas, assim como a cena em que Monty descobre seu delator.

Como conclusão, Lee brinca com seu filme ao levá-lo para uma aparente solução com sorvete na testa. A grande beleza do final é ver esta solução dissolver-se conforme a câmera se afasta da picape de Brogan pai. Duas horas e pouco de bom cinema americano, sem frescuras, sem modernices.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Spike Lee: A Última Noite

  1. Rodolfo disse:

    Oi. Achei seu blog digitando Duncan Sheik no Google. Você é de Floripa. Eu também sou. E sou muito viciado no Duncan. Seu blog é muito legal, isso porque estou numa fase de apreciação de blogs secos, limpos, como o seu. Por isso o meu também está mais simples. Antes era cheio de figuras. Logo eu enjôo dessa monotonia características de blogs como o meu atual ou o seu e mudo de novo… hehehe. Enfim, me escreve pra gente trocar umas idéias sobre o Duncan.

  2. rodrigo disse:

    oi
    boa noite
    faz tempo que eu entro aqui e naum deixo comentarios…
    e tmb estou te linkando la no meu blog
    seu blog é 10
    xau

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