Dois Filmes

tédio independente americano

Personal Velocity, traduzido em português como O Tempo de Cada Um guarda algumas semelhanças com Virgens Suicidas, começando pela origem da realizadora, e terminando no tema: a Mulher, este desconhecido.

São três histórias distintas, levemente amarradas por um evento comum, quase como em Amores Perros. A diferença para o filme mexicano é que este último era bom. Rebecca Miller conduz um filme baseado totalmente em alguma cartilha do cinema independente americano, e não deixa escapar nenhum dos clichês do estilo, a começar pelo tratamento em câmera digital, uma solução para os baixos orçamentos do gênero. O resultado é uma sucessão de cenas previsíveis e um didatismo entediante.

Apesar de tudo, tenho de aceitar que a diretora conseguiu captar o gênero feminino com muita precisão. Durante o filme, consegui entender muito do que aconteceu de misterioso entre mim e certas mulheres da minha vida. Ao passar dos créditos, tive certeza de saber como elas são, embora nunca vá entender porque elas se comportam assim.

Primeiro de meus filmes do atual ciclo de cinema francês do CIC, Tanguy começa com uma deliciosa reconstituição da hilária encruzilhada entre os anos setenta e oitenta. Repare no pavoroso sofá de couro onde Edith embala seu pimpolho Tanguy.

Logo, saltamos para o presente, onde Tanguy tem vinte e oito anos, e é o filho perfeito. Exceto por um pequeno detalhe: ele ainda mora em casa, e inferniza seus pais com seus hábitos, todos devidamente corroborados por provérbios chineses.

Esta é uma comédia, como disse o primo do Kerito, que apenas um francês poderia fazer. Sabine Azéma e André Dussolier estão soberbos, mesmo com certos excessos, que acabam indo muito bem nesta comédia de um humor negríssimo.

O diretor acerta em apenas sugerir certas passagens, o que privilegia a argúcia do espectador, e valoriza os diversos detalhes espelhados pela cena. As situações chegam à beira do absurdo com facilidade, e este absurdo é manejado com habilidade na interpretação dos pais. Éric Berger não precisa se esforçar muito, e mantém seu fleugma de costas quentes o tempo todo.

Esqueça as comediazinhas ianques e bestas que pululam pelo mercado, e assista a esta jóia francesa. Não perca!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Dois Filmes

  1. Bina disse:

    droga, memória totalmente inútil… a mãe tinha me recomendado muito esse filme!!

    mas tb só vi teu email, fabito, depois das nove..

    será que ainda tá dando? – esse “dando” é pro fabito, hihihi, q gosta tanto desse meu jeito peculiar de falar :p

    beijos Tanguy!

  2. Fabito disse:

    O melhor de tudo foi assisti-lo ao lado de dois legítimos Tanguy’s soltando gargalhadas de identificação.

    😛

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