Sessão Dupla

Existem filmes aos quais o espectador vai previamente disposto a apenas divertir-se; as produções da Disney, salvo alguma exceção que minha memória falhada tenha deixado escapar, se enquadram nessa categoria. A outra categoria em qual os filmes da Disney se encaixam direitinho é aquela dos “filmes para a família”.

Piratas do Caribe é um resultado típico desta equações de amenidades e restrições. Ok, a Disney entrou no século vinte e um; os roteiros são bem amarrados, e eventuais furos servem regiamente à intenção de causar alguma gargalhada extra. A produção é primorosa, e não há como deixar de babar nas cenas de luta na Isla de La Muerta, onde o Luar desvela a natureza dos combatentes em belas transições computadorizadas. Há personagens de diversos matizes de caráter, e existe uma vontade imensa de não ser tão politicamente correto.

Mas nem tanto! No mundo de Piratas do Caribe, não há sangue. As mãos bobas, inevitáveis quando uma princesa belíssima adentra um bando de piratas pestilentos, são contidas, assim como a libido do anti-herói de Depp na clássica situação da ilha deserta. Vale ressaltar que o modelo da mocinha é a clássica boneca Barbie, com seu pescoço finíssimo, e sua sexualidade recatada, o que pode soar como uma correção histórica de época, mas que se revela um conservadorismo atualíssimo. O herói é uma variação do Dartagnan cinematográfico, e celebra a escalada social pelo próprio heroísmo.

Chatices à parte, achei interessante não haverem matado o comodoro, como seria muito conveniente aos mocinhos. E também gostei muito da sacada do Capitão Sparrow em sua luta final com Barbossa. E, ah, fiquem até o final dos créditos, pois vale a pena!

Este Filme Contém Gente Louca

A boa sacada de fazer sessões duplas é a possibilidade de sofrer os choques culturais com impacto de primeira. Sair do celofane exuberante de Piratas do Caribe para o humanismo exacerbado de O Leite da Ternura Humana causa uma explosão de percepção muito interessante.

O filme exige aquela atenção necessária para filmes franceses. Pouca coisa acontece na tela, mas os níveis de percepção se expandem acima e baixo do contexto, causando uma experiência estética.

Resumindo a história, trata-se do colapso de uma mãe que encontra problemas ao amamentar a filha. O roteiro começa assim, e toma proporções bíblicas dentro do microuniverso de relações dos personagens, como se fosse um estudo sobre o caos.

Há de se tomar cuidado com certas liberdades que os diretores destes filmes francesas tomam. Naquela atmosfera vaga pode estar uma sutileza com significados profundos, ou apenas uma falha do roteirista preguiçoso.

E tenho uma reflexão final: Diabos, as mulheres são realmente loucas! E, diabos, Franceses são muito estranhos! E, juntando tudo: cáspite, mulheres francesas são loucas estranhas! Mas rendem belos filmes como esse…

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Sessão Dupla

  1. lenore disse:

    hahaha!!
    acredita que nunca tinha feito isso (passar o mouse e tal).

    que tipo de cinema vc vai que passa filme fora de circuito junto com superproduções hollywoodianas?

  2. xine disse:

    ai, gilvan, querido, to com saudade sabias?
    sabe o q eu adoro fazer?
    eu adoro abrir o teu blog e parar meu mouse encimas das figuras, seu sequelado!
    bejinhos

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