Takeshi Kitano: Dolls

dolls

Este filme japonês trata daquilo que a dupla canhestra Sandy e Júnior diria que “não acaba no final”, ou seja, o tal do amor imortal, ou amor eterno.

As primeiras pistas do intento dão-se pelo teatro Nô apresentado no começo da fita, dando-nos a certeza de que estamos diante de um genuíno produto nipônico, e que devemos preparar nossa percepção para tal situação.

A percepção oriental é muito diferente da nossa, e isso fica claro em várias passagens do filme. Existem detalhes que poderiam ser bem mais sutis, principalmente nos desfechos que exigem dedução de informações advindas da imagem. Por outro lado, existem momentos que são muito rápidos, detalhes minúsculos, que apenas o olhar nipônico consegue apreender completamente. Ou nem isso, vai saber.

Kitano escreve um roteiro com base em uma lenda. Segundo ela, cada pessoa tem uma corda que a amarra a outra pessoa, que é sua alma gêmea no Universo. O problema é que essas cordas acabam se entrelaçando com outras cordas, dificultando o encontro com a verdadeira cara metade.

A primeira história do filme é a que produz o casal que vaga através da película, rondando os acontecimentos restantes do filme. Tendo sido rejeitada por seu namorado, que a trocou por um casamento financeiramente compensador, Wasako tenta o suicídio, e acaba despida de sua personalidade; apenas seu corpo resta, para o desespero de seu ex-noivo, que mantém a honra, e a ampara.

No segundo momento, um mafioso yakuza às portas da morte resolve retomar um amor perdido da juventude. A partir deste momento, as duas primeiras histórias entrelaçam-se com a terceira, sobre uma popstar cujo rosto foi deformado, e seu fã obcecado.

Embora o foco do filme esteja no relacionamento dos casais, em um contexto parcialmente oculto, surgem as dicotomias entre a cultura milenar japonesa, e sua problemática adaptação aos valores ocidentais no pós-guerra.

A belíssima fotografia, explodindo em cores, explorando as estações da Ilha do Japão com maestria, sublinha esta história trágica ao extremo. O desempenho sutil dos atores empresta à montagem fotográfica um fator de impacto fortíssimo, intensificado pelas passagens lentas e contemplativas da câmera.

A trilha sonora, como em vários outros filmes japoneses, peca pelo uso intenso de sintetizadores; eu ainda pefiro as orquestras tradicionais, mas existe o argumento da trilha sintética prover embasamento à saturação extrema da fotografia.

O saite oficial fica aqui.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Takeshi Kitano: Dolls

  1. Walkiria disse:

    Não sei se este filme já havia sido exibido em Curitiba… whatever…
    Assisti domingo à noite… tempinho bestamente frio…
    E lembrei-me de ti…
    Justamente por causa da fantástica fotografia…

    Pior do que o clichê “Adorei o filme” – sim, é verdade – é quase ter cometido a gafe de sugerir que submetesse essa película ao exame interessante de teu ponto de vista…

    Yak !

    Besos.

  2. Eric disse:

    uma merda

  3. Sabe o que é estranho? Acho que já vi esse filme…. Se bem que é impossível, pois não foi exibido aqui. Lembro-me de ter lido uma resenha na cartacapital e de ter procurado o título no kazza, sem sucesso.
    Se bem que a história (e também a maneira como foi contada) lembra muito um filme coreano chamado Amor Proibido, ou Paixão Proibida… Qualquer coisa do gênero. Este é iniciado por uma espécie de monólogo teatral/musical (or something) tipicamente coreano, a fotografia também é uma explosão de cores, etc, etc. Enfim, vale a pena assistir, está nas locadoras.
    Adeuzinho!

  4. humberto mac disse:

    uau, que lindo!

    e o melhor de tudo é ver cinema diferente do que estamos acostumados. é de repente ver que as coisas são ou explicadas, sei lá, de uma meneira inusitada ao nosso costume. adoro!

    ah, descolei seu guia, viu? preciso só colocar as mãos sobre ele.

  5. Valentina Doll disse:

    Fiquei morrendo de vontade de ver este filme. Foi no CIC? Por acaso já vistes Amores Perros, ou na tradução, Amores Brutos? Me lembrou um pouco de Amores Perros este filme japonês. Se não viu, veja. É muito bom.
    Besitos

    Sweet Doll Valentina

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