Mau Humor, Esse Nosso Amigo

Sorria!

Saiu na National Geographic: bactérias não devem exterminar seus senhorios. Estudos demonstram que as cepas de bactérias tendem a se tornarem menos violentas com o passar do tempo. As cepas violentas matam seus hospedeiros tão rapidamente que o tempo útil do hospedeiro como transmissor potencial da moléstia é insuficiente para que o invasor possa se reproduzir em escala apropriada. Em outras palavras, se o microorganismo chegar de sola no hospedeiro, quase ninguém vai saber, e o cara vai ser um desconhecido, um mané. É possível que nem consiga um nome em latim, quem dera um apelido popular do tipo “Gripe FHC” ou “Gripe Tiazinha”.

Bactérias espetaculosas, quem diria.

Um homem solteiro no sentido tradicional tem a tendência de tornar sua vida mais prática, por duas razões, que acabam redundando no mesmo elemento faltante em sua vida. Um, ele não tem quem lhe dê referência do ridículo, dois, ele não tem porque impressionar garotas, depois de uma certa idade. Neste aspecto, os solteiros típicos diferenciam-se de simples universitários, mas apenas no cuidado mínimo com o vestuário.

Universitários, além disso, não costumam enfrentar as invasões de capilaridades indesejadas em orifícios inacessíveis, tais como orelhas. Solteiros, todavia, podem ter apartamentos arrumados, e alguns conseguem até manter animais vivos durante períodos consideráveis. O problema, neste caso, é que solteirões convictos criarão métodos meticulosos e bizarros para organizar suas casas. Testemunhos deste estilo único podem ser encontrados em toda a habitação do solteirão, desde tomates em fila indiana dentro da geladeira, até a disposição de camisas pré-abotoadas em cabides com as respectivas calças, que não precisam, fique claro, obedecer a nenhum padrão de combinação estética, seja em cor, seja em textura.

E, para completar, recebi uma proposta da Veja, que precisa de mim, assim como eu preciso dela. Diabos, como eu era ignorante de mim mesmo até hoje de manhã! Conhece a ti mesmo, dizia um grego, e eu não me conheço. Tragédia. Não necessariamente grega.

Bom, continuaremos precisando um do outro.

A Veja é um exemplo revoltante da parcialidade jornalística no país. Suas páginas têm aquela cara padronizada, preenchidas com aquela redação pausterizada, perfeita para leitores que curtem palavras regurgitadas.

A Veja é engraçadinha, faz uns trocadilhos lugar-comum, daqueles que não cheiram e nem fedem, e fazem você pensar em como deve ser o expediente editorial na Abril. A primeira imagem que me vem a cabeça é um bando de tapirus terrestris com síndrome de baba bucal em tempo integral.

O estilo da Veja é uma amenização com jeito de imparcialidade, direcionando-se trôpego a diversas linhas de pensamento que os editores pegam, olham, e logo a largam fora, lavando as mãos em seguida. Sim, o povo da Veja é limpinho.

Ah, as capas! O que falar daquelas montagens ridículas? E pensar que eles, muitas vezes, se orgulham delas, e descrevem como foram feitas. Parece até aquele gringo da Globo, marido da Globeleza, explicando as patéticas aberturas das novelas. Bom, ninguém pode acusá-los de enganar os leitores com uma capa bonita.

Agora, vou confessar que leio duas seções da revista. Gente, que é divertidíssima, e sempre tem a foto de, pelo menos, uma garota bonita, sobre a qual se faz algum fuxico inverossímil, e absolutamente divertido. Sei que a Quem Acontece traz oitenta páginas disso, mas a opção sintética da Veja me comove mais. E aquele canto das frases, onde sempre tem alguma pessoa nos brindando com alguma pérola do pensamento Celebridade brasileiro ou internacional. Aliás, adoro ver que os brasileiros comandam o mundo em termos de falas estúpidas! Suspeito até que o Bushinho tenha feito seu PhD com autoridades do assunto no Brasil.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Filosofia de Boteco, Mau Humor e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Mau Humor, Esse Nosso Amigo

  1. eu tambem leio as erratas, que, quase sempre, sao grosseiras….

  2. humberto mac disse:

    veja é uó. boicote nela!

    ah, sobre a parte dos solteirões: gente! fiquei imaginando os tomatinhos em fila. Aliás, uma coisa que sempre me intrigou. Por que fila indiana se chama fila indiana? foram os indianos que inventaram as filas (essa dúvida é séria!)

    Esposas e maridos já. Ou então fico na barra da saia da minha mâmi.

    🙂

  3. Jonas disse:

    Nem comento sobre a Veja, não vale a pena..

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