Umas coisas bobas

Fico divagando entre os terminais, com olhares perdidos as chances perdidas, de como um minuto poderia me colocar em outra fila, e esta outra fila me levasse a outra vida, como se o livre arbítrio fosse apenas um complemento para culpar-me pela falta de ação. Mas a ação parece abrupta, artificial, e os fatos aconselham, todos eles, como fossem um grupo de sábios idosos redundante e misteriosos de algum filme épico. Sessão da Tarde.

Entre os devaneios, as divagações: e se?

E fica o tostines no ar; dedicar-se a conquistar alguém seria válido se pensarmos que podemos amar apenas por havermos conquistado? Conquista-se por amar, ou ama-se por haver conquistado? Como o Cazuza, os outros românticos também adoram um amor inventado, e a confusão impera.

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Apaixonar-se é coletar um gesto, enfim. O que faz tão diferente uma determinada pessoa em detrimento de outras? Entre tantas meninas lindas, porque uma, ou poucas, delas sobem em um degrau mais alto, sorriem mais bonito, falam mais sedutoramente?

São gestos, pelo menos para mim. Pequenos gestos, às vezes apenas um, que capturam minha imaginação em vôo, e passam a carregá-la, quase sempre sem saber, em uma gaiola. Lá de dentro, esta mesma imaginação canta, diferente dos pássaros engaiolados, pois canta feliz.

Mas, tristeza das tristezas, poucos gestos realmente interessantes por aí. A sociedade parece cansada, e limita-se a repetir as rezas dos mesmos altares eletrônicos, como um mantra infinito de futilidades. Neste panorama, escasseiam os gestos bonitos, a leveza dos significados sutis, retirando a semiótica dos campos amorosos.

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Boa hora, assim, de lembrar um dos meus heróis, o irlandês Neil Hannon, que cunhou algumas das mais representativas canções de meus devaneios nos campos onde o romano Ovídio desovou suas mais belas considerações.

Hannon escreveu, em Casanova, vários libelos de um amor jaguaríssimo, daqueles entremeados de fugas noturnas, palavras sussurradas, e flores entre os dentes. Entre eles, Songs of Love, do qual apresento o trecho a seguir, que mostra um mundo rico nos gestos de que falo acima:

Young, uniform minds
In uniform lines
And uniform ties
Run ‘round
With trousers on fire
And signs of desire
They cannot disguise
While i try to find words
As light as the birds
Yhat circle above
To put in my songs of love

Faça-se mais feliz, corra atrás de Songs of Love!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Umas coisas bobas

  1. Valentina disse:

    estou quase desistindo de ti

  2. Fabito disse:

    Rapaz, pega o livro do Botton com nossa amiga ruivinha, só te digo isso.

    [Só não faça como eu, e lembre-se de devolver, hihi]

    Mas eu vim aqui, na verdade, para ler a resenha do filme do Padre Marcelo Rossi. Ou amarelasse e não fosse ver ?!

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