Moacyr Góes: Maria, Mãe do Filho de Deus

cruzes, literalmente.

Existem aquelas missões que uma pessoa impõe a si mesma, muitas vezes para testar seus limites de tolerância ao mau gosto. Eu quase ia escapando deste filme, até que o CIC coloca-o em uma segunda semana de exibição, tornando-o inevitável. E lá fui eu.

A intenção clara da película é propagandear a igreja católica, utilizando um pretexto para recontar a vida de Jesus pela visão de sua mãe. Para tanto, como era de se esperar, utiliza-se uma estética semelhante àquela dos finados clipes do Fantástico, que faziam a alegria e o horror de telespectadores diversos nos anos oitenta.

E dá-lhe fotografia bonitinha e ordinária, enquadramentos padronizados, e alguns focos nos pés, para dar um mínimo de “ar de cinema”. A montagem não chega a comprometer demais, e a música é padronizada, parecendo ter sido tirada de um cartucho de programação prévia de um desses sintetizadores modernões.

E, enfim, o que há de tão ruim neste filme, que o faz servir de referência às futuras gerações da tosquice envernizada? As atuações, mon ami, as atuações.

Não cabe aqui falar dos atores improvisados, como Padre Marcelo. Aliás, o homem deveria ser chamado para interpretar o Coringa em algum futuro filme do Batman; aquele sorriso dele é assustador, e basta pintar o cabelo de verde claro para amedrontar qualquer um!

Giovanna Antonelli sofre da paralisia facial que acomete dezenas de atores mundo afora, e não se mostra comprometedora demais. Agora, o tal Luigi Baricelli! O cara não consegue controlar nenhum músculo facial, fica sorrindo como uma hiena descontrolada mesmo quando os soldados romanos estão carregando-o para a prisão. Isso sem falar que ele está parecendo o Chewbacca na maior parte das cenas; mais uma possível carreira em Hollywood!

O restante dos atores exercita uma canastrice apavorante, como se estivessem em um concurso. As cenas da tentação no deserto e da ira contra os mercadores do templo, que eu considera as mais impactantes desta parte do Novo Testamento, são desperdiçadas. No final das contas, o melhor desempenho ainda é o do jumento sobre o qual o Chewb…, quero dizer, Jesus, entra em Jerusalém. Se bem que o meu assessor Fábio argumentou que o jumento estava fazendo o papel dele mesmo, e isso realmente tira-lhe todo o mérito.

E a sala do CIC lotada de carolas de meia idade, algumas trazendo seus filhinhos para verificar tamanha edificância filmada. Aliás, muito edificante a passagem em que Jesus transforma água em vinho para não acabar com a festa. Isso explica muita coisa sobre a corrupção endêmica dos países católicos. Ouvi alguém dizer “Brasil” aí?

Antes que eu me esqueça, devo ressaltar que tive de reter meus ataques de riso quando o Padre Marcelo aparecia como Anjo. Impagável!!! Hilário!!! Eu tinha de me abaixar na cadeira para não ser apedrejado pelas carolas em fúria.

Concluindo, este filme demonstra que o cinema brasileiro atravessa uma época de rara saúde, pois os extremos de qualidade são necessários para corroborar um conjunto de produção, e “Maria, Mãe do Filho de Deus” interpreta com muito orgulho a linha extrema inferior.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Moacyr Góes: Maria, Mãe do Filho de Deus

  1. hahahahha!

    Tenho a teoria de que o padre marcelo, no fundo, no fundo, é um daqueles pedófilos protegidos pela igreja católica. putz! aquele sorriso dele é muito “Que dentes grandes vosê tem, vovó!”.

  2. humberto mac disse:

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!

    queria ter visto esse filme com vc. ia ser uma delícia. Adoro ver filme trash me empanturrando de pipoca!

    O burrinho deve ter sido o melhor ator do filme, com certeza.

    o que dizer desse ser chamado padre marcelo?

    e uma drag num show, uma vez, estava fazendo uma escola de samba fictícia, chamada Mocidade Independente de Padre Marcelo.

  3. George disse:

    Pela tua descrição , já deu pra sacar o quão nojento deve ser esse filme… mas, talvez pudesse ser pior. Padre Marcelo, é dose, mas imagina se tivessem colocado a XUXA em algum papel, imagine em qual? Maria Madalena? ou o próprio deba na cena da tentação da montanha, se ela empinasse aquele par de peitos pra cima do Jesus, como ela fez com aquele menininho do “Amor estranho amor”… O Renato Aragão podia ser um dos reis magos, mas sem o muçum não ia dar muito certo. Chega! Falando assim daqui a pouco eu garanto indulgência no inferno. Gilvan, não conta nada pra minha Vó e pro meu Vô…

  4. helen disse:

    Calma Gilvan, respira fundo…
    Quem manda ser curioso, bem feito, ou seria mal feito? Nossa, ainda bem q eu não tenho vontade de assistir esse filme, e ainda bem q minha vó não entra no teu blog. Hehehehehe. Tento imaginar o padroca pop star atuando… ops, não consigo!

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