The Decline of The British Sea Power

Que Interpol o que!

Da leva de roqueiros influenciados pelo positive punk, gênero que teve seu apogeu na virada dos anos setenta para os oitenta, The British Sea Power é o mais interessante. Seja pela nacionalidade idêntica à das influências, seja pela música frenética sobre temas sinistros.

A grande sacada dos caras é escapar à armadilha fácil que é fazer o som que o Joy Division projetou, e dar mais atenção a Echo e Magazine, sem falar de toques de Television e a performance à beira do ataque epiléptico de Iggy Pop. O resultado é o discão The Decline of The British Sea Power, que já começa clássico pelo título.

Como todo bom disco, é escorado em belas composições. Something Wicked é um dos exemplos, grudenta e bem amarrada dentro de uma proposição, uma balada bem apropriada a um disco de rock, como a faixa seguinte, Remember Me, umas das mais próximas do fúnebre quarteto de Manchester. Apesar da semelhança, não é notável aquele ranço travado que certas bandas novaiorquinas reciclam, e os riffs de guitarra, fogem da escola Bernard Sumners de guitarra. O outro single, Fear of Drowning, aguça a semelhança, mas ainda escapa.

The Lonely tem o gosto mais próximo de rock noventista, tributária daquele canto saturado de suspiros de Ian McCulloch, e Carrion segue quase na mesma linha. Blackout é uma balada surpreendentemente bobinha, embora agradável, mas dá uma boa quebrada no disco, preparando o ouvinte para os quatorze minutos de Lately, em pretensos solos saturados e barulhentos.

O efeito da boa compilação do disco é quebrada pelos bônus da versão americana, que desmancham a impressão épica causada pela saideira de A Wooden Horse. Discos com bônus deveriam ser recompilados para manter sua estrutura. No caso deste disco, é um crime, pois a retomada de ritmo em Childhood Memories, seguida da espasmódica Heavenly Waters, deixa o disco com uma cara confusa.

Um fator que pode passar despercebido é o alto nível das letras, versando sobre a Rússia e países do Leste Europeu, abordando acontecimentos históricos, fugindo das banalidades sentimentalóides de certos contemporâneos. E isso vindo de uma molecada em seus vinte e poucos anos.

Um belo disco, que pede mais de uma audição para ser descoberto. Exatamente como os bons discos da era Positive Punk.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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