Fernando Leon de Aranoa: Les Lunes al Sol

Santa tem esta ironia no nome, logo ele, que declama seus discursos socialistas inflamados, e a todos comove. Mesmo ao público, mesmo no caso da lâmpada que quase o lança às grades com sua dívida de oito mil pesetas.

Além da comoção, Santa conhece a sedução, e seduz também com discursos. Fala sobre a Austrália que existe apenas em sua cabeça, inventa países e expressões. E funciona. Elas caem, sejam mães solteiras ou a filha do seu amigo.

Sim, ele parece um carioca. Santa lembra, fisicamente, demais nosso humorista Bussunda. O olhar avesgalhado, esbugalhado, a picardia brotando da boca amolecida. Talvez nosso representante não tenha a linha reta do nariz à testa, taurina, de Santa, mas seria pedir demais.

Santa está ao Sol com seus amigos. Logo depois, Santa está diante da lâmpada piscando, quando seu amigo não aguentou mais, e resolveu cair à moda de um xifópago do Sião. Na adversidade emocional, Santa é ainda mais brasileiro do que quando aprecia a metade do jogo de futebol.

Existe a conjuntura social ainda, e então Santa é mesmo carioca. Não só ele, a Espanha também. Os muros pichados, os dias corridos, as horas como pontos de chegada, o ciúme que nasce das relações empregatícias mal resolvidas. A Espanha está fodida também, e nós sabemos, não? Os rituais são diferentes, lá a seguridade garante o que a informalidade dá aos desempregados, mas é a mesma coisa quando se vive. Uma porcaria. Mas Aranoa não fica nisso, e transcende seu pano de fundo, contando uma simples e bela história.

Santa parece ser o que mais entende isso, e porta-se desligado. Garante-nos as deliciosas gargalhadas de seu concurso do Espanhol Mais Cretino, do qual exclui o astronauta russo. Deus também aparece na história, e é apenas mais um na galeria de bons personagens que o filme apresenta. Roteiro esperto, boa condução, bons personagens, fotografia condizente. Entretanto, como no Casseta e Planeta, você acaba lembrando apenas do Bussunda.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Fernando Leon de Aranoa: Les Lunes al Sol

  1. Ana Corina disse:

    BUSSUNDA, Gilvan? Bela tentativa de acabar com minha paixonite pelo Bardem, mas não deu certo!!! Já tinha visto o filmito há um tempo e gostei. E Bardem, bem… É sempre ELE. Ai, ai… (corações flutuando)

    • gilvas disse:

      veja bem, pode ser parecido com o bussunda, mas um baita pegador, metia o terror nas mes solteiras de toda a regio, e ningum deixava as costas livres na balsa onde ele viajava! se bem que eu suspeito que o bussunda tambm devia se dar bem com a mulherada…

  2. Mirian Yoschie disse:

    Bem apontado o paralelo entre determinados aspectos hispânicos e brasucas apresentados no filme.

    E o Santa, de fato, é muito parecido com o Bussunda.

    Mas tem outro detalhe: Você percebeu certa semelhança entre o amigo do Santa (o marido da mulher dos enlatados de atum) e o Claudio Manuel, o Seu Creysson?? Além daquela careca esquisita tem algo de besta nos dois…

    Beijo pra vc!

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