Os Anos Oitenta

quantos clichês tu vês nesta imagem?

No sábado passado, eu estava revirando o balaio das Lojas Americanas atrás de alguns filmes em DVD. Comprei uns títulos legais, entre os quais está um que eu já devo ter visto umas dez vezes: Despedida de Solteiro, no original, Bachelor Party.

A tradução do título é um mistério para mim, pois, quando eu vi na Globo, os caras traduziram literalmente, mas, no DVD, temos A Última Festa de Solteiro. Detalhes à parte, vi o filme hoje à tarde, e já ia esquecendo de dizer que minha mãe não gosta deste filme, ela o ama de forma exacerbada. Vendo o filme, acabei lembrando de outro clássico oitentista, Curtindo a Vida Adoidado.

A apresentadora do curso de Gerenciamento de Projetos passou aquelas cenas em que o Mathew Broderick canta Twist and Shout durante um desfile. Depois ela fez alguns comentários sobre a forma como o protagonista conduz o seu projeto pessoal de matar um dia de aula sem ser pego.

Não obstante o caráter didático da explanação, acabei divagando sobre a cara duríssima do personagem de Broderick, que não possui um mínimo de consideração por seu amigo bocó. Não fossem as cenas em que Ferris demonstra alguma preocupação pelo futuro de seu inepto parceiro no pequeno crime de gazear aula, alguém poderia pensar que o gurizão-prodígio apenas aproxima-se do boca-mole para ter acesso ao carro do pai deste último.

Eu seria mentiroso se dissesse que não gosto de Curtindo a Vida Adoidado, pois ele está repleto de boas cenas e boas sacadas de roteiro. O problema, do meu ponto de vista, é que o filme é muito cheio de indagações existenciais, uma frescurada, aventuras juvenis com muita reflexão, um clima de dinâmica de grupo, daquelas que sempre nos colocam em papéis constrangedores.

Despedida de Solteiro não tem nada disso. A sutileza passou pelos estúdios de filmagem, deu uma olhada para dentro, e disparou sem olhar para trás. A idade dos protagonistas é algo superior à dos de Curtindo a Vida Adoidado, e os questionamentos existenciais foram deixados em segundo plano. As piadas são chulas como em uma boa safra de Porky’s, e o diretor não conhece sovinice. Afinal, são os anos oitenta! A moça que vai presentear Rick surge em nu frontal completo, o que impressionou bastante este escriba em seus tenros anos. Imagine, um nu frontal e total na telinha da Globo naquela época!

Vão me xingar, mas eu confesso que adoro esse filme. As piadas são bestas o suficiente para que uma pessoa sem noção, como eu, desande em gargalhadas homéricas. O roteiro mais parece um suporte para encaixar a seqüência de piadas, e não se usa mais que um neurônio para entender o filme. O único momento em que o diretor parece querer mostrar algo é nas cenas do cinema 3D, em um arroubo de metalinguagem, que acaba rendendo uma seqüência de cenas em que impera o descompromisso com a plausibilidade. Oba!

O lado bom é que o Tom Hanks ainda não tinha feito nenhum papel sério, e sua cara de abobado fica ótima nos bobalhões que ele interpreta nos anos oitenta. E os cabelos são hilários! Diabos, onde aquela gente arrumava tanto laquê?!?!? Para fechar, basta lembrar que este tipo de comédia era o ápice do politicamente incorreto que reinava na tal década perdida.

Bom, eu tenho o DVD, e aceito convites para assistir novamente, mas não me comprometo a conter minhas gargalhadas.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Os Anos Oitenta

  1. Mirian Yoschie disse:

    Legal! E eu levo os chocolates :p
    Quem aí se prontifica com os líquidos?

    Abraçoo

  2. Paty disse:

    Combinado… eu levo a pipoca! rs…

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