Maria, Sim, a Rita.

Fui ao dentista hoje de manhã. Eu tinha o primeiro horário, e cheguei na hora certa. O resultado foi que fui rapidamente atendido, e não pude apreciar um dos pontos mais agradáveis da visita ao dentista: a leitura de revistas ridículas.

Fiquei com água na boca logo no exemplar que encimava a pilha; era uma Caras, e tinha a Carolina Dieckman na capa. Quase tive um ataque de ansiedade, e por pouco não mandei o dentista esperar. Afinal, Carolina Dieckman é um caso especial de disfuncionalidade intelectual, e estaria explicando porque havia se separado do Marcos Frota. Aliás, fico imaginando em que ramo da família Frota ficaram os neurônios, pois o Marcos e o Alexandre nunca foram muito conhecidos por suas habilidades com raciocínio.

Bom, tudo isso é muito interessante e científico e tudo mais, e a tal Carolina Dieckman até que consegue ser bonitinha em alguns momentos, confesso. E o dentista faltou com a cortesia ao ser tão solícito em atender-me.

Entretanto, havia ainda a outra forma de diversão recorrente em consultórios de dentistas: a trilha sonora. O tradicional para os ouvidos dos pacientes costuma ser alguma rádio de easy listening ou flashback, e, se vocês pensaram em Antena Um, vocês realmente sabem do que estou falando, e eu também, pois ainda ecoam na minha cabeça os acordes de uma canção do Richard Marx que estava tocando durante o almoço no restaurante.

Quanto ao dentista, enganaram-se. O homem deve ser do tipo cool, e quando eu falo nisso, imediatamente o subconsciente forma a imagem de uma rádio impoluta, de finíssimo gosto e repertório maletíssimo. Alguém pensou em Itapema aí? Ok, quem mora fora de Floripa não saberá do que falo, mas quem mora aqui não precisará de mais detalhes, e eu nem vou dar mesmo.

Depois de uma ou duas canções insípidas de intérpretes, surge uma segunda ou terceira canção insípida de intérprete. É Maria Rita, e ela não se esforça nada para destruir Estrela Estrela, canção do adolescente Vitor Ramil. E digo que ela não se esforça porque não existe um mínimo sopro de vida na versão, Maria Rita canta com a mesma vontade que teria para lavar uma grelha onde foi assada uma anchova bíblica, daquelas que deixa uma sebeira lamentável. Ouvi outras canções do álbum dela, e não pude chegar a muitas conclusões, pois o caso dela parece ser de ordem clínica, onde eu não me arrisco a dar meus palpites furados.

E depois eu descubro que a moçoila teve as manhas de cobrar R$160,00 por cabeça em suas apresentações em Floripa. Isso mesmo, cento e sessenta reais por cabeça! E deve ter lotado o CIC com a indiarada local, que caiu direitinho no hype dos necrófilos de plantão. Fico imaginando quanto cobra o outro filho da Elis, que, por sinal, eu vi na Ana Maria Braga quando fui levar meu aparelho de som no conserto. Mais um pouco, e eu achei que a gazela ia botar um longo preto com brilhantes, e deitar-se sobre o piano do papai Mariano, que exclamaria “onde foi que eu errei, meu deus?”.

Cáspite! O que há nesta Maria Rita, além do afã de tirar a pobre Elis do túmulo? Até quando teremos esta carência de carisma, esta fila imensa de intérpretes soporíferas, que nada acrescentam às canções deste Brasil, meu Brasil brasileiro?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Maria, Sim, a Rita.

  1. Pingback: Sobre o Tempo « sinestesia

  2. ma_ai disse:

    Muitos julgamentos.

  3. Victor disse:

    Ah, meu caro! Problemas publicitários à parte, o cd de Maria Rita é belo: bem produzido, bem cantado, etc.!

    Assim como você, acho melancólico que se cobre RS 160,0 (na verdade era $80, pois com um kilo de alimento se paga a metade – sim, eles fazem isso para tirar os direitos dos estudantes, nenhuma novidade nisso), mas não sei se descontaria essa melancolia em sua música.

    Quanto aos “Frotas”, você não acha que pior que reclamar suas limitações é se esforçar para ler seus comentários?

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