Ah, o Carnaval…

Fevereiro segue esvaindo-se, e Neil Hannon canta por aqui, pomposo como sempre deveria ter sido. Esta canção, Sticks And Stones, leva-me a diversos lugares.

O primeiro desses lugares é a cozinha da minha casa, ontem. Comendo meu lanche, a televisão ligada na Globo, e o Big Brócolis rolando. Reparo que, desta vez, sobrou apenas uma turbinada; o povo está esquisito, ou está consciente, lutando para que seus iguais permaneçam em detrimento da classe abastada pseudo- desconhecida? Acho que não é para tanto.

Ainda prefiro a versão pirata do Tio Silvio. Os nós-cegos profissionais da Casa dos Artistas eram muito superiores aos amadores da casa do falecido Marinho. Não consigo ver a menor graça naqueles bocós; eles não possuem um décimo do know-how de um gênio da estupidez televisiva do calibre de um Cigano Igor ou Alexandre Frota. É realmente uma pena que o Silvio não tenha conseguido enxergar a óbvia estratégia da Globo, que torna Big Brócolis um evento em quase todos os programas da sua grade.

Bom, resta para nós não assistir aos bocós da Globo. E também evitar aquele visual clubber vovozinha do Pedro Bial. Imagino a Giulia Gam balançando a cabeça e pensando em “como pude?!?”.

Como eu me demorei no lanche, acabei tendo de ouvir uma canção da trilha de Amélie Poulain, que servia de fundo para os lamentos de uma das mocorongas choronas, sobre a qual minha irmã comentou, profundamente, “olha, ela usa maquiagem permanente”.

***

O segundo é a Lucélia Diniz. Eu tinha esquecido dela depois que parei de ir a São Paulo, mas tive a infelicidade de ver aqueles dentões na capa de um livro dela. Sinistro. Ela é mais uma das propagadoras da bizarrice dos “doces light“.

Como pode? Os doces foram feitos para serem devorados, consumidos em quantidades absurdas, seguidos dos complexos de culpa mais detalhados e cruéis. Esta maluca está querendo romper o aspecto holí­stico das besteiras gastronômicas, criando um lapso conceitual em uma seqüência de eventos plenamente natural. Ora, você come demais e aumenta a probabilidade de passar mal; você bebe demais e aumenta ainda mais o coeficiente de náuseas e amanhãs podres. Nada mais natural, uma noção simples de causa e efeito!

Iaah!

E eu acabo de lembrar de quando fui comprar uma mochila para colocar meu dogi nos dias em que venho de ônibus. Passei por algumas lojas de preços altos, mas eu não estava preparado para o que viria logo depois.

Entrei na loja, segundo piso do xópis, acho, e pedi para ver, com as mãos, uma mochila que achei apropriada. O vendedor entregou-me o produto, e passou a louva-lo, a ponto de quase extrair-me uma lágrima. Depois de três minutos de superlativos, interrompo-o perguntando o valor daquela maravilha da tecnologia. Sem mudar de tom, o solícito vendedor responde que o objeto, uma mochila!, custa seiscentos e oitenta reais.

Mantenho minha postura irrepreensível, e pergunto-lhe, com ar estudado de lorde abastado, quanto sairia à vista. Ele se anima, e responde que, para mim, faz por seiscentos e vinte. Agradeço, comovido, e despeço-me, garantindo-lhe que aquela havia sido a melhor mochila daquelas minhas buscas.

Cáspite, eu sei que sou pobre, e até convivo bem com isso, desde que não me joguem isso na cara.

Estou pensando em sair na avenida este ano. A fantasia daquele garoto de A Metamorfose ficaria bem, não?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Ah, o Carnaval…

  1. Pooh disse:

    Caraca! Mas o que tinha de tão valioso dentro da mochila?! Deverias ter perguntado…

  2. rodrigo disse:

    um bom fds e bom carnaval
    juizo e use camisinha
    abraços

  3. Walkiria disse:

    Sem dúvida ficarias fofo !
    Antenas… patinhas… asas…

    Só cuidado com a sandália de borracha – as legítimas – de $ 1200 que umas tias usam por aí…

    Quanto à mala, veja bem: o respeitável alforje decerto carregava uma etiqueta com um nome desconhecido mas cheio de statoos. E $ 600 do preço à vista ( vendedor camarada, hein ? ) fazem referência a tal da etiqueta…

    Viu só como é simples ?

    Tira a infâme e tudo se resolve.

    Baci.

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