Deborah Colcker: Mix

A dança da companhia de Deborah Colcker não esconde o quanto de força física é necessária para os prodígios corporais que se desenrolam no palco. Dessa dança moderna salta a meus olhos a opção por aceitar o corpo e a gravidade.

O corpo se escolhe como se fossem estátuas vivas, moldadas pela perfeição obsessiva de mestre renascentista na Itália ainda não formada. A beleza desprende de gestos e posturas, e não de traços bonitos no estatismo de uma pose fotográfica.

A gravidade cobra dos músculos sua juventude, faz com que ela se exponha, se entregue aos holofotes e aos olhos espectadores. Uma amostra dos pensamentos da platéia haveria de contar o que sobre suas percepções de peso, aquelas adquiridas sob a pressão das pernas trêmulas da bailarina erguendo um universo masculino, tal qual um Atlas no Yang de resistir, mulher no Yin de persistir.

Se os corpos são estrelas, não são tudo. Durante o movimento recoberto de canções de amor, abre-se espaço para uma teatralidade, que chega a arrancar reações interpretativas nas cadeiras vizinhas.

Da grande ginástica em paredão, ousada e simétrica na estrutura muito esperta da parede, há a leitura das tensões e de uma renovada sensação de altura, e alguém poderia pensar que o controle dos músculos, quem diria, poderia suprimir a vertigem.

Mas apenas por um instante, pois a luz inverte tudo, e morre em um apogeu dramático sobre os olhos enormes de uma das bailarinas.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Deborah Colcker: Mix

  1. Pafúncia disse:

    Engraçado, assisti esse espetáculo por acaso e de graça por causa de uma disciplina q eu e algumas amigas puxamos na federal. Nem imaginava q fosse assistir, mas achei incrível o poder do corpo. Apesar da gritaria e das palmas freqüentes( acho q 90% eram crianças…)deu p/a despertar a curiosidade e o encantamento.

    Bom final de semana!

  2. rodrigo disse:

    amanha eu vou ser operado, vou fazer Gastroplastia, a famosa cirurgia de redução de estômago. Acenda uma vela, reze uma Ave-Maria, faça um despacho, mande energias positivas, enfim, aquilo que você preferir. Tudo é válido, porque a cirurgia não é das mais tranqüilas, e a recuperação também é bem chatinha
    obrigaduuuuuuuuuuu

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