Unbelievable Truth

Poderia ser apenas a banda do irmão do Thom Yorke, e assim foi, até que eu comprasse o disco de estréia, Almost Here. Um pacotão de canções lentas e quase acústicas, cantadas em um tom humilhado, recheadas de letras poéticas e vagas, contando histórias de noites apagadas em casas de subúrbio, quase uma variante de Smiths, mas sem a esperança que aparecia nas entrelinhas de Morrissey. As letras de Andy Yorke são resignadas, quase estóicas.

Os lados b, principalmente no primeiro disco, não parecem os lados b tradicionais. Eles não são experimentais, eles não mostram uma vocação diferente da banda, eles não flertam com versões alternativas, eles não colocam canções carentes de personalidade.

Eles apenas continuam o disco.

Roadside#1 parece ter um grilo pulando ordenadamente sobre as teclas de um piano, tocado baixinho em um apartamento pequeno no fundo de uma noite, evitando acordar as outras pessoas na casa.

Too Many Things To Learn, do primeiro compacto, é rapidinha, como não se vê no disco, e nela os rapazes entregam sua admiração por Michael Stipe e companhia. Tyre Tracks espera o ouvinte lançar-se junto ao mar, sob um céu de cinzas perdidas, como a dar base para as paradinhas da bateria, que parece hesitar, pensar antes de seguir.

Who’s To Know é a primeira de uma linha de canções efetivamente coxinhas. Corretamente pontuada por um baixo vagamente sinistro, Andy despede-se de alguém que já foi, pelo menos em sua cabeça. E ninguém pode dizer que ele está mesmo mandando-a embora, ou mesmo que o lar dela é “em algum lugar lá fora”, ou que “ninguém irá ajudá-la”.

Coming Round é curiosamente alegre, apesar do tom de voz de Andy sempre levar a crer que ele está cantando sob nuvens baixas e dias de outono. É o tipo de canção que pega de primeira, muito gostosa, ainda mais com aqueles violinos com a melodia principal levemente distante do tom do vocal, que deixa tudo com uma esquisita sensação de euforia.

Revolution não tem nada demais, é uma balada simples. E que deve ter sido baixada um monte de vezes por fãs do Radiohead, pois alguém andou disponibilizando-a nos P2P da vida colocando como autora a banda do Thom Yorke.

Nevermind não tem nada a ver com o clássico do Kurt Cobain; é uma canção de um cara chamado Hugo “no joke, please” Largo. Andy resolveu gravar essa no tempo em que estava muito viciado em REM, quando seguia todas as modas da primadonna Stipe. É uma canção de clima esparso, que forma-se lentamente para um grand finale dois níveis acima, quase em pompa.

Yesterday Never Leaves é linda. Andy começa cantando direto, com uma leve introdução de violão, seguido de cordas e um ensaio de balada, para entrar em uma batida mais forte depois do primeiro refrão.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Unbelievable Truth

  1. Pingback: Andy Yorke: Simple « sinestesia

  2. Quanta cultura útil, quanto conhecimento!!! Estou embasbacada contigo! Sabe ser culto, sem ser enfadonho, grande dom!!!
    Pro seu site eu dou 10, se é que eu tenho envergadura moral pra isso!! rs
    Assisti Dogville e amei,com seu comentário pude entender alguns pontos que haviam ficado vagos!
    Saiba que daqui em diante serei uma frequentadora assídua, já está lá nos meus favoritos!
    Parabéns mesmo!!!

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