Goldfrapp: Lovely Head

Um mergulho em uma esfera aveludada de tons distantemente frenéticos. As ondas de intrusão envolvem o corpo, não como um retorno, mas como uma passagem.

Uma trilha sobre a terra quente no deserto de um faroeste vagamente italiano, romântico em um ângulo diferente daquele dos pioneiros americanos. Uma pianola marca a entrada em um saloon onde os móveis flutuam um milímetro acima do chão. Um milímetro, inexato e subjetivo, mas um milímetro.

Eles, os outros, caminham com seus sapatos gastos. A voz luxuriosa evanesce através da sala, com seus olhos divagando sobre o destino e as paredes.

Um grito se segue, agoniado, rasgando a uma noite ampla, longe destes cômodos oitocentistas. O vôo de um albatroz sobre imensidões azuis de fronteiras de areia. Um uivo com penas alvas, uma ave de poesia sonora, que parece soçobrar em seu pouco. Ave que torna as costas, ferida em sua elegância de monarca aérea.

Olhos piscam, e mais uma vez ela canta, confessa. Ela pode parecer entediada, mas já não me engano, pois o albatroz pode voar levemente com suas asas pesadas, enquanto a voz nos transporta mais uma vez.

Um castelo novecentista. Um cientista. O conhecimento onde mora. Paredes de pedra, e um homem que sabe demais. Uma mulher que ama demais. Sem tratamento. Sem relâmpagos. Sem monstros de braços estendidos.

Ela canta, deitada sobre um móvel negro.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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