Citações

O Paulo Leminski ia escrevendo, quando apareceu isso no papel:

a noite pinga uma
estrela no meu olho
e passa

esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

….

inverno
é tudo que sinto
viver é sucinto

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Nem é o melhor dele, mas eu recebi hoje, achei tão bonito, e achei que deveria estar aqui.

***

Eu estava lendo a Bravo!, que agora está sob os cuidados da Abril. Aquela mesma Abril que teve as manhas de deixar descambar as revistas da Marvel no Brasil. A Bravo! sempre foi muito boazinha, fala bem de todo mundo; é capaz de ficar ainda mais maternal com esta transição para uma major.

Ah, lembrei do Fabito ao ler o conto no finalzinho da Bravo!. O autor é o Davi Arrigucci Jr., e o conto não é lá grande coisa. Entretanto, a frase final sintetiza muito do nosso modo de vida.

“Desde Dom Quixote, toda aventura está destinada ao fracasso.”

***

E Moulin Rouge. Foi meu primeiro filme no DVD aqui de casa. Ou o segundo, precedido, talvez, por South Park. Aquela edição nervosa, aquela saturação de cores, o casal bonitinho entre Escócia e Austrália, as frases farsescas dentro do Elefante, o número de tango em contraponto ao trágico desfecho com o duque, o novecentismo tardio latente nos atos e fatos da protagonista, e a pretensão, que dignificaria o conjunto… caso houvesse um roteiro interessante.

A auto-inserção do roteiro em si mesmo não seria o suficiente para condenar o filme, mas então chegam aquelas canções não tão boas, que nem mesmo o timbre de Ewan McGregor, próximo ao de Martin Rossiter, do Gene, conseguiria salvar. E olha que ele se esforça, mas a vaca vai para o brejo antes do conde enrolar o bigode pela primeira vez.

O trabalho criativo de Baz Luhrman em Moulin Rouge é superior àquele de Romeu e Julieta, onde a magnífica história poderia ter sido melhor aproveitada. Engraçado é que eu curti mais o filme na primeira vez, mas deve ter sido realmente aquela coisa toda do deslumbramento do DVD, com todos aqueles extras legais. Aconteceu algo semelhante com Being John Malkovich, que eu adorei na primeira vez, quando vi no CIC, recém-entrado para o mundinho cool das películas. Vi, depois de um tempo, em VHS, e, diabos, parece uma colagem, como se fosse um clipe enorme. O que nem seria tão ruim assim, mas acaba sendo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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