Baita Rango

Ah, comer bem! Que maravilha! E não falo de trufas ou caviar ou pratos franceses, daqueles com um medalhão de ave, uma colher de molho estranho, e um galhinho de salsa. Falo dos bons repastos caseiros, que rendem ainda mais se o xiru vem de uma atividade forte.

E foi ontem. Cheguei em casa do aikidô, treino puxado e divertido, e encaminhei-me para o refrigerador, indo direto à cumbuca dos parangolés do lanche, que sempre se encontram nas cercanias da deliciosa manteiga Aviação.

Já ia fechando a geladeira, quando olhei para o lado, e vi aquela embalagem de plástico entreaberta, deixando aparecer uma massa indistinta, branca com manchas cinzentas, e, diabos, um gorgonzola!!! Que foi levado para a mesa sem demora, diga-se de passagem.

Chegando lá, pensei que um bom vinho seria o mínimo para acompanhar aqueles nobres forradores de buchada. Olhando os candidatos, e pensando em ser segunda-feira, já ia pegando um syrah argentino, quando dei-me pela importância do gorgonzola, e acabei me decidindo por um merlot Carta Vieja, veterano de estante lá em casa.

À mesa, preparei meu sanduíche de provolone e chester. Confesso que prefiro salame ao chester, mas faz-se a omelete com os ovos que se tem. Como leitura, um exemplar hilário de Graham Greene, sobre o qual devo falar em breve.

Devorado o sanduíche, o Gorgonzola, que, nesta altura do campeonato, merece maiúscula. A grande sacada do Gorgonzola com o Merlot, também maiúsculo agora, é que eles constituem uma versão gastronômica do moto-contínuo: um teco de queijo, desmancha na boca, um gole de vinho, se lança pela boca toda, outro teco de queijo, e assim segue. Só parei porque defini um limitador em duas taças de vinho.

E então minha irmã entra na cozinha para buscar um bolo, e eu lhe peço que traga o bolo para a mesa, e diabos again, é o bolo de fubá de mamãe, encharcado de suco de laranja do quintal, nada daquelas laranjas fingidas de mercado, e coberto com nata. Se o Paraíso existe, não deve ser muito diferente do bolo de fubá de mamãe.

Depois disso, dormir é um exercício realmente reconfortante, que deveria ser experimentado por todo e qualquer mortal do planetinha azul. Se existe tranquilidade de espírito, deve ir muito bem com vinho chileno. Ou vir com ele.

O Bolo de Fubá de Mamãe cessou de existir agora de manhã, quando foi a cereja do milkshake para meu sucrilhos matinal. Que também é uma epopéia, mas desta eu falo em outro dia. Um suspiro especial pelo Bolo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Baita Rango

  1. Pingback: Missô « sinestesia

  2. Bina disse:

    aviação tem que ser da latinha! 🙂

    beijoca

  3. Fê disse:

    puta que pariu
    vc não sabe o quanto escorrem água pelas paredes de minha boca.

    beijão

  4. Mirian Yoschie disse:

    Ai ai.. quantas delícias..

    Vc me deixou só na vontade.. again

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