Benjamim

Começo a pensar que estou compensando meus problemas emocionais com guloseimas, ou talvez seja apenas uma fase de grandes apelos circunstanciais. Poderia ser, como na segunda proposição, apenas coincidência ter encontrado apetitosos pães de mel na prateleira do mercado, e os colocado na cestinha sem titubear, mesmo não sendo as citadas guloseimas da marca que mais aprecio. É, deve ser circunstancial mesmo, um apelo da Mãe-Natureza pela manutenção da sobrevivência nestes tempos gelados que nos rodeiam.

Alcohol Reviews, Ic!

E a bebedeira vai junto. Nunca pensei que o Carmenère Concha Y Toro pudesse ser tão delicioso como ele se mostrou ontem. Mais leve do o Gato Negro de mesmo varietal, o Reservado da safra de 2002 mantém-se austero e causa a correta desidratação no ousado mortal que o encara. Mas, diabos, que delícia de vinho.

Caramba, eu tinha de falar do Benjamim… Bom, o filme é legal. A história é bem amarrada, tem uns lances meio Dickens na amarração de mãe e filha, e é conduzida de forma correta. O Danton Mello fez aquele papel de jovem bonitão apaixonado/abobado de sempre com a competência razoável de sempre, e o Paulo José fez o papel de senhor estabilizado/torturado com a competência razoável de sempre. A grande sacada da interpretação é realmente Cléo Pires, que consegue interpretar as eqüidistantes Castana e Ariela; a menina mostrou que tem as manhas. As imagens são bem espertas, com o trabalho da fotografia sublinhando um pouco exageradamente as mudanças de tempo. O que ficou meio ruim foi a edição, principalmente no começo do filme; os cortes são confusos, e os flashbacks são colocados de forma conservadora. Lá pelo meio do filme a diretora engrena, e começa a usar os recursos de presente e futuro de forma mais inteligente, sobrepondo cenas similares e impondo algum ritmo à narrativa, sendo o final, coincidentemente, o ápice da realização. O final leva o mérito de amarrar, e de justificar certas situações do filme, que parecem furadas enquanto a redenção do protagonista não chega na forma mais pura que qualquer um poderia esperar. O esquadrão vingador é um elemento dramático muito bom, assim como o são as intervenções do estado militar; ambos os dispositivos servem para arrematar situações complicadas para o roteirista, e são usados de forma apropriada, sem pesar a mão. Ressalto ainda a bela cena com da morte do personagem de Mauro Mendonça, clichê, mas com um Mahler arrepiante ao fundo, e a presença do Wando, meu grande ídolo no campo sentimental. Para fechar, diabos, mulheres são loucas e perigosas.
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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Benjamim

  1. Mirian Yoschie disse:

    Domingo fim de tarde: Um Costeletudo passando roupa e cantando o bolachão…quem dera ser um peixe…
    Diabos!

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