Questões Existenciais

cheers!

Constranjo-me quando estou diante de um brinde, e me pedem que faça pedidos. No frêmito de dar uma bicada etílica, acabo dizendo alguma bobagem, ou pedindo a Paz Mundial, com maiúsculas mesmo, para acentuar a impossibilidade da empreitada. Fico feliz, nestas horas, quando os pedidos podem ser íntimos, secretos; esboço caras significativas, e nada peço, como diante de uma fitinha da Bahia, daquelas que deveriam, em teoria,  ficar contigo até desmanchar-se no teu braço. Se eu ainda estivesse freqüentando o consultório da psicóloga, provavelmente falaria longamente sobre não ter vontades tão fortes, e ela retrucaria com um “uhum”, emendando em seguida com o clássico “e o que você sente sobre isso?”, como se fosse eu quem estivesse sendo pago para saber como eu me sinto. Da mesma forma, não aposto na loteria. O que fazer com dinheiro às pampas? Comprar um iate, um carrão, comer uma loira de cifrões? Parece meio trivial. Se bem que eu poderia apostar sem medo, pois a chance de eu ganhar é tão remota quanto a cidade de Trombudo Central. *** Esta minha semana está cheia de dúvidas. Uma delas me assaltou ao corredor dias atrás, quando, involuntariamente, lembrei daquela marchinha de carnaval: “olha a cabeleira do Zezé/ será que ele é?/ será que ele é?”. Fiz uma listagem mental dos gays que conheço, e cheguei à conclusão de que quase nenhum usa cabelos longos, e muito menos espalhafatosos como, presumo, haveriam de ser os do tal Zezé. Talvez seja uma visão ultrapassada , e as frutinhas de priscas eras se amarravam em cachopas exuberantes, sendo hoje mais contidas, adeptas do cabelo batidinho, ui. Minha outra teoria é que o compositor traçou uma linha de ocultamento com a tal cabeleira, sendo que o indivíduo suspeito o era apenas por ter o antilopesco nome de Zezé. Quem sabe?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Filosofia de Boteco, Mau Humor e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Questões Existenciais

  1. lalai disse:

    hmmm… que delícia, te reencontrei! E que post bacanudo… gosto de reflexões, mas ando fugindo delas, justamente porque é menos dolorido!

    bitoca

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