Dois Filmes

tô mentindo, terta?

Ah, a delícia das sessões duplas, novamente; eu estava com saudades, até mesmo da patuléia de terça-feira. Mas eles eram tão poucos hoje… Passamos juntos pela lista gigantesca de patrocinadores de Narradores de Javé, o que deveria ter entendido como o prenúncio de uma bela obra da sétima arte. Entretanto, acreditar nos tablóides culturalescos que abundam nas bancas é ceder a expectativas inatingíveis.

O que posso dizer sobre Narradores de Javé? Pouco mais que um filme para televisão, com a ousadia questionável do uso de atores não-profissionais, tendência pós-Cidade de Deus. A diretora também faz um esforço admirável para criar uma obra sobre um roteiro fraco, contando com o esforço do intérprete do Antônio Bié, que se mata de fazer golpes de caratê setentista e xistes malcriados. Nada salva o filme, que ainda conta com a trilha sonora eletrênica demais, e uma constrangedora ponta do Matheus Natchergaele, que falha terrivelmente na missão de não parecer que é ele mesmo.

As menininhas invadem a sala, como um prenúncio do dilúvio típico da patuléia de terça, mas o dilúvio fica pelo prenúncio mesmo; lotação morna na sala do CIC. O filme entra de solapada na fita, e as geleiras do início prenunciam um épico catastrofista apropriado. É O Dia Depois de Amanhã.

Fico pensando o que será dos épicos nesta era de insensibilidade, em que o mocinho tem de se arriscar diante de um precipício de gelo para ganhar algum “oh!” na platéia.

Durante o filme, percebo que gelo e furacões são perfeitos para o uso de efeitos especiais gerados em computador. As cenas possuem um impacto poderoso, e até poético na dança dos tornados.

Obviamente, as premissas são bem intencionadas e absolutamente furadas. O argumento ambientalista se mistura a uma apelação pela aceitação dos povos subdesenvolvidos, e se apóia na fórmula infalível do pai distante do filho, mais manjada do que moleque paranormal em livro do Stephen King.

Aliás, o filho do Dennis Quaid se parece com uma dessas atrizes adolescentes que a Globo arranjou na virada dos anos noventa, e que parece o Corujito. Diabos, não consigo lembrar, mas lembro que a mocinha parece a Sandy Júnior, e é tão piegas quanto. E o Dennis Quaid atrás do filho parece o peixe azul procurando o pequeno Nemo.

E os lobos, minha gente! O Emerich faz um puta esforço para conseguir uns lobos digitais legais, e eles levam um século para aparecer. Imagine minha agonia em qualquer cena em que um personagem ficava sozinho; minha mente disparava, “onde estão os lobos , diabos!!! porque os peludos forma mostrados fugindo do hospício, quero dizer, do zoológico?”. Aí eles surgem, fazem uma ponta meia boca, e pronto.

Arrepiei bravo quando a água de um tsunami chegou na altura do sovaco da Estátua da Liberdade. Igh! Bem que poderia ter varrido a estátua da Havan também. No final do filme, o contexto se apresenta, e É tudo uma gigantesca bola de sorvete na testa do hemisfério norte, como se a naba toda não passasse de uma condenação brutal por ser tão mala e tão queimador de petróleo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Dois Filmes

  1. mari disse:

    Um que vale a pena vc assistir é o novo do Jim Carrey – Brilho Eterno de uma mente sem lembranças… acho que vc vai gostar. quando vc assistir e escrever alguma coisa sobre ele me diz 🙂
    beijos

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