Valentin

Valentin é um filme fofo, e disso as resenhas já falavam, você vai me dizer. Com razão. Valentin vem na veia de O Filho da Noiva, aquela mistura que acaba soando fofa e doída, entremeando algumas gargalhadas com momentos que extraem lágrimas do machão mais renitente.

A história não é nada demais. Um fragmento da vida de um garoto vesgo chamado Valentin. Bom, talvez ele fosse estrábico, mas eu não consigo precisar. Para resumir a ópera, Valentin á um garoto que usa óculos de lentes garrafais, tanto no tamanho quanto na forma.

O sistema solar de Valentin possui um planeta grande: sua avó, que lamenta continuamente a morte do avó, por quem ela nutre um amor sobrenatural, narrado continuamente a Valentin. Antes que você desista de ver o filme, devo deixar claro que o fato do guri ser criado pela avó não causa seqüelas nele, ou seja, não tenha receio de que ele vá montar alguma variação do Travis nas terras portenhas. Se bem que ele estava aprendendo a tocar piano, mas, diabos, o mundo vai bem sem um Coldplay ou Keane hermano. Tranqüiliza-te, irmão.

Chegando no piano, temos Rufo, o amigo fora-da-casinha de Valentin. Todo herói precisa de um amigo fora-da-casinha, ainda mais quando seu pai é um grande babaca, que te acha um idiota, e coleciona namoradas gordas. Rufo, possivelmente de modo desproposital, lembra o Rufus, heróico canadense das teclas, compositor da delícia chamada Cigarettes, Chocolate and Milk. Ok, Rufo é heterossexual e pinguço, borrajo na língua deles, mas é divertido, e dá a Valentin a primeira noção do que deve ser a verdadeira amizade masculina, além de alguns goles de uísque.

O nosso herói Valentin é aparvoado como convém aos tempos modernos. Desastrado com as palavras, que desconhece serem poderosas, destrói o namoro de seu pai com a única namorada que ele mesmo considera. O roteiro vem em seu socorro, e revela o pai imbecil que possui, e torna a colocar a história nos eixos. Este fato não impede-me de me identificar com o personagem título no tangente a falar besteiras que não gostaria de ter falado. Nada como identificar-se com o personagem!

Um clima de fábula percorre os fotogramas de Valentin. A escolha feliz da direção, motivada primariamente pela época se colocar antes da chegada à Lua, em plena febre espacial, possui um segundo sintoma salutar; as visões sessentistas tornam certas extravagâncias do roteirista verossímeis a ponto de não haver necessidade de evocar contextos fabulosos para justificar certas seqüências. Um cabelo quase longo, bem liso, e alguns Gordinis podem nos remeter à Era de Aquário sem maiores exercícios de imaginação.

Não espere a comédia que se anuncia nas resenhas, mas um filme doce e amargo, e, acima disso, humano.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Valentin

  1. aluísio disse:

    “Este fato não impede-me de me identificar com o personagem título no tangente a falar besteiras que não gostaria de ter falado. Nada como identificar-se com o personagem!” Como diria stiven sigal…”é verdade”

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