Michael Moore: Fahrenheit 9/11

hitting the towers

Ontem fui ver Fahrenheit 9/11 em uma sala curiosamente vazia; nem metade das cadeiras do CIC estava ocupada, e apenas duas ilhas de patuléia compareceram à exibição do filme mais discutido de 2004, que teve direito a uma semana de sessão dupla, algo inédito em meus meses de espectador fiel.

Dada a alta exposição do filme, falou-se de tudo, e não creio poder acrescentar muita coisa, então vou apontar alguns detalhes apenas.

No geral, o filme segue um procedimento mais jornalístico; como sintoma, temos menos palhaçadas de Moore, que aparece bem menos na frente das câmeras, e se concentra em mostrar evidências para suas teses. As teorias de Moore continuam tão questionáveis quanto controversas, mas é curioso ver que ele não envereda pela teoria conspiratória de que o próprio serviço secreto americano teria gerado os atentados para salvar a popularidade do pequeno Bush.

Entretanto, é um filme do Moore, e filmes do Moore sempre têm aquele gostinho de livro de disco voador, tipo aqueles do Erich Von Däniken. As inserções são ainda hilárias, com trechos de filmes, e canções certeiras. Aliás, o conhecimento do idioma bretão deve estar embaixa nas sessões do CIC, pois ninguém, além deste escriba, riu quando uma banda de rock canta let’s get out of here com as imagens da família Bin Laden saindo dos EUA. Vale ressaltar o uso do rock como arma de propaganda, expediente muito usado pelo exército americano, e também a aparição de um mané Strokes cover dando entrevista. Patético.

A imprensa americana é mostrada no ápice de sua escrotidão. Imbecis correspondentes das grandes redes se rendem aos privilégios (sic) de cobrir oficialmente a guerra junto aos soldados, mostrando cenas limitadas e pouco claras, cedendo à censura oficial e às versões oficiais. Enojante.

O consumismo é outro aspecto interessante. Os produtos anunciados, como um bunker e um pára-quedas pessoal, demonstram o quanto o americano de classe-média acredita na tecnologia, aceitando qualquer quinquilharia ridícula como equipamento efetivo.

Há partes em que Moore apela, e faz de tudo para arrancar lágrimas da platéia, e alcança o sucesso. Noves fora, é um filme depressivo, que te deixa numa posição de impotência diante de tanta sujeira e corrupção. Ajuda um pouco pensar que os democratas não são tão melhores, e que o problema de Michael Moore com Bush é pessoal, como poderia sugerir uma passagem de diálogo entre os dois, em que o presidente mais néscio dos EUA sugere que o cineasta arranje um emprego e vá trabalhar.

Mas, hoje de manhã, Tanya Donelly me deixa tranqüilo e distante de tudo; enquanto ela canta don’t worry, you worry too much com aquele acento caipira fofo, eu moro bem longe deste mundo besta.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Michael Moore: Fahrenheit 9/11

  1. LUMA disse:

    Vale dizer que o Ray Bradbury está processando o Michael Moore de tê-lo plagiado…

  2. mari disse:

    eu ainda nao vi… mas quem viu me disse que é meio apelativo mesmo

  3. Carol disse:

    Assisti o filme e fiquei de pernas bambas saindo do cinema. Saí pensando também que o outro filme, Columbine, é muito melhor, cinematograficamente falando, se é que isso existe.
    Mas vc tem razão: a trilha é demais. Eu amei ele mostrando como a música é usada na guerra (the roof is on fire!!!!).
    Aliás, deixe-me comentar: extremamente delicado, irônico e inteligente seu jeito de contar as coisas.

  4. Jux disse:

    Baby I see this world has made you sad
    Some people can be bad
    The things they do, the things they say
    But baby I’ll wipe away those bitter tears
    I’ll chase away those restless fears
    That turn your blue skies into grey
    Why worry, there should be laughter after pain
    There should be sunshine after rain
    These things have always been the same
    So why worry now
    Baby when I get down I turn to you
    And you make sense of what I do
    I know it isn’t hard to say
    But baby just when this world seems mean and cold
    Our love comes shining red and gold
    And all the rest is by the way
    Why worry, there should be laughter after pain
    There should be sunshine after rain
    These things have always been the same
    So why worry now

    * * *

    oh right… it’s not ms. Donnely but it’s nice and pop a bit…

    I had gone for the 9:00pm session… with a secret wish wich didn’t come true… pitty… a lot of creatures were there also… and I really wished to meet one special human being… who had already watched to the 6:30pm movie session… a delightful guy… with such charming sideburns… clever and cool as only he can be…

    * * *

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