Hanks & Stevenson

Kill Them!

Não sei se é porque tinham falado tão mal, mas gostei de Matadores de Velhinhas. Apesar do Tom Hanks, que não está tão ruim quanto eu poderia esperar; possível efeito da direção dos irmãos Coen, dos quais não se pode esperar erros muito crassos. Também tem o efeito de não conhecer o original, que dizem ser soberbo.

Resumindo a análise à versão nova, levanto meu polegar para a fotografia, de tons impecáveis e enquadramentos muito espertos. Os figurinos são detalhistas, e os atores se adequam bem a eles. Os pigarros e risadas de Hanks soam um pouco deslocadas, mas sua pose pedante compensa com folga essas limitações.

Espetáculo à parte são as missas na congregação dos negros. O gospel rola solto, com direito a um maestro que é a cara do Little Richard, e uma negra com voz devastadora. Só as cenas da igreja já pagariam o ingresso.

O roteiro tem algumas limitações. Os personagens são pinçadas corretamente de um grupo de clichês clássicos, e inseridos de forma orgânica, e, neste ponto, os irmãos Coen podem dar aulas ao incompetente diretor de Kill Bill. Há o oriental mestre em artes marciais, há o jogador estúpido de futebol americano, há o europeu especialista maluco, há o negão do hip-hop cheio de palavrões, há a vítima de corpo fechado e inconsciente do perigo, há o vilão malvadão com formação erudita, e por aí vai a lista.

A limitação está na estruturação. Boa parte das viradas de roteiro está amarrada ao intestino pouco amarrado de um dos personagens, o que poderia ser uma caracterí­stica de certas comédias antigas, mas que os diretores poderiam ter atualizado. Aparenta, como ouvi dizer por aí, que os irmãos Coen ficaram tímidos diante da grandeza do original. A grande sacada do filme, que é seu humor negro, só embala depois de dois terços da película rodada, o que gera dezenas de gargalhadas descontroladas, mas que poderiam estar melhor espalhadas pelo filme.

E, claro, impossível não lembrar das inúmeras citações, diretas e indiretas, a Edgar Alan Poe, e também do personagem mais expressivo, Mr. Othar. E a trilha sonora é matadora, gospel de primeira!

Parece o Ranunfo!

Terminei de ler As Novas Mil e Uma Noites, de Robert Louis Stevenson. O volume é interessante, mas parece ser inacabado, como se fosse um projeto que o autor não quis, ou não pôde, terminar. A prosa do inglês é irretocável, e compensa certas limitações do argumento, como a presença onipotente do Príncipe Florizel, corrigida ao final do volume, e, de certa forma justificada. É um daqueles livros que não vai mudar a sua vida se tu tiveres lido.

Tragédia é perguntar aqui no serviço sobre Stevenson, e ninguém saber quem é o cara.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Hanks & Stevenson

  1. Pingback: Iain Banks: Uma Canção de Pedra « sinestesia

  2. Carol Doria disse:

    Querido, não me estranha nada no seu serviço ninguém saber do fulano aí…
    Vc é crítico de cinema, música, arte? O que faz vc da vida, afinal?
    Beijão!

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