Entre Duas Formas

Blue Kanji

Dúvidas assombram-me com uma freqüência invulgar, e é das pequenas que cuido mais; das grandes as próprias rodas impassí­veis da existência sabem cuidar. Enquanto desviamos do caminho das grandes, vale guardar um instante para acalentar as sutis perguntas que os eventos nos remetem. Ela passou, cadente, e pensei primeiro em prosa, mas achei que poderia talhar em haikai:

Silvo gelado
A gota pousa amando
A terra quente

As palavras vieram depois de um tempo para esta pequena parede nos descampados de uma ilusão em forma de evento. Se o homem ainda duvida entre ser uma borboleta sonhando ser homem ou um homem que sonhou ser uma borboleta, dado que não se percebe inseto dado que pensa, distraí­das, as linhas fluem.

A gota atravessa o ar saturado, corta em silvos mirí­ades de partí­culas esfoliadas do atrito. De um Verão mais tarde, a poeira a envolve numa onomatopéia brincalhona, realiza sua vocação apaixonada, antes pelo ar, agora pelo chão, se foi.

É bom estar vivo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Entre Duas Formas

  1. Turnes disse:

    A vida é boa quando a poesia está.

  2. “É bom estar vivo.”

    Quando falei das riquezas do futuro e mencionei água pura e quietude, esqueci das verdades simples…

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