São Paulo

Sabe, eu até queria falar de São Paulo, mas certas cantilenas acabam por irritar qualquer leitor; não acho que voltar a falar das ruas sujas, do abismo entre pobreza e riqueza, dos prédios grafitados possa mudar algo. Vou ficar apenas na alegria de ter viajado com amigos, partilhado de brincadeiras e de treinos, conhecido praticantes de outras partes do país, e de ter trocado idéias com eles. Deve ter sido minha viagem mais leve a São Paulo, no sentido de não ter carregado nenhuma expectativa.

Para justificar este texto, vou falar um pouco de um livro de Tabajara Ruas, O Fascínio. Achei-o meio apressado no início; mesmo em romances policiais, considero que o desenvolvimento inicial precise de alguma calma na caracterização. Depois a bagaça embala, toma ares de inevitável, embora seja uma reciclagem onde entram toques de revoluções gaudérias, Stephen King e a tão brasileira cornice vingativa. Valeu por ser rápido.

Tem também o livro da Carolina Nabuco, Retrato dos Estados Unidos à Luz de sua Literatura, ou algo que o valha. Comprei por ser uma toupeira em termos de literatura dos Estados Unidos, e também porque estava em promoção. Para completar, a capa era bonita, e tinha o nome do Poe mesclado na ilustração; dificilmente resisto a comprar coisas onde esteja estampado “Poe”. E não é que o livro é muito bom? Apesar de não dedicar dois capítulos ao Faulkner, colocando-o junto com o Steinbeck, de quem eu não gosto, ela descreve um panorama excitante, que levou esta patricinha dos livros aqui a adquirir novas obsessões impressas. Se, por um lado, Carolina enche a bola de Poe, Whitman e Faulkner, por outro desce o chicote na subliteratura que sempre vicejou ao redor dos monstros sagrados. Nem preciso dizer que aprendi novas formas de achincalhar escritores.

Ah, eu ia esquecendo de dizer que gostei muito da missa com os cânticos gregorianos na Catedral de São Bento.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para São Paulo

  1. Jonas disse:

    Gosto muito do Steinbeck. Quanto ao Faulkner, o que é aquela edição da Cosac & Naify de O Som e a Fúria? Muito caprichada (como tudo da C&N).

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