Quentin Tarantino: Kill Bill II

Existiu uma década onde os filmes de ação se permitiam o politicamente incorreto, os absurdos no roteiro e uma viadagem explícita, e tudo isso cabia no formato, que divertia e chegava a fazer pensar, mesmo que fosse apenas uma reflexão sobre o tempo perdido assitindo a tanta bobagem.

A boa notícia é que estes filmes continuam a ser feitos. Heróicos diretores, sem o menor escrúpulo, se juntam a produtores de péssima estirpe, contratam elencos absurdamente ruins e roteiristas de gosto duvidoso; desta mistura saem pequenos clássicos, que ficam restritos ao público do Ação Total e de certas prateleiras obscuras da locadora.

A má notícia? Bom, são duas, na verdade. A primeira é que os anos oitenta acabaram, e esses filmes não podem mais contar com orçamentos polpudos, e nem com o Schwartza, que estrelou clássicos do gênero, como Predador, Running Man, Terminator, Conan, e o genial Comando para Matar, ápice de uma linhagem de filmes estúpidos e divertidíssimos. Nosso herói austríaco agora pilota o estado da Califórnia, e está gordo como uma porca; seus últimos filmes foram equivocados e bobos, e seus possíveis sucessores, como Mark Dacascos, apesar de bons canastrões, não possuem a sua força. Decadência mais aguda sofreu Stallone, que nos divertiu muito com seu Cobra, mas agora está com a carreira derrubada.

A segunda? Bom, uns nerds, daqueles que nunca se envolveram em uma briga de colégio ou brincaram de bangue-bangue com pólvora de verdade em canos de PVC, resolveram fazer filmes violentos. O mais célebre deles pega um monte de referências, bem coisa de nerd, bate no liquidificador com um roteiro batido, eita trocadilho, e… resulta em um filme cool, daqueles em que você pode levar a namorada intelectual e ficar bem na fita, mas, diabos, que bosta de filme. Se você até agora sacou que eu estou falando de Kill Bill, pode parar de ler!

Se na primeira parte foi uma bosta, uma coisa brochante parecida com um videogame, na segunda, a única cena decente é aquela onde o Madsen dá um tirambaço de sal nos cornos da mocoronga magrela da Uma Thurman, ensinando que não adianta só ter panca de macho. E a única cena engraçada é a da Daryl Hannah correndo cega pelo trailer, mas daí tem uma cena de Robocop, com o ED209 atirando nos pés, que é muito superior.

O restante é um desfile de ícones esvaziados de significado. Se a única coisa que Tarantino guardou dos filmes chineses foi aquela passadinha de mão na barba, ele devia estar dormindo durante as projeções. A cena do enterro de Thurman é tão emocionante que deu vontade de sair para depilar minhas orelhas com uma pinça, e olha que eu nem sou velho o suficiente para ter pêlos nas orelhas.

E ai de quem me disse que “na segunda parte o filme faz sentido por causa das revelações”, pois realmente faz sentido, e revela simplesmente que o pouco da criatividade do balconista de locadora Quentin foi usada em Cães de Aluguel.

No meu tempo os filmes de ação também eram puro clichê, mas eram divertidos.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Quentin Tarantino: Kill Bill II

  1. Pingback: Jonathan Mostow: Substitutos « sinestesia

  2. Cool… 🙂

    Pense num post sobre outro gênero legendário que se tornou símbolo dos anos 80: o dos filmes de adolescentes.

  3. Brian disse:

    Eu não achei um absurdo total… mas eu gostei de conan.

    É bem verdade que os filmes de ação da década de oitenta eram bem mais despretenciosos que os de hoje. Hoje é necessário ter algo a mais… sempre ter algo a mais… algo novo, senão corre-se o risco de ser esculachado por não reinventar a roda. Não que isso seja de todo ruim, afinal estaríamos assintindo a Rocky 80 agora…

    Veja pelas seqüências intermináveis dos filmes de horror da década de oitenta. Eu gosto de ver esses filmes, são divertidos pela sua simplicidade e despretenção… aquele horror mata-colegiais-taradas.

    Bom era isso… será que acrescentei alguma coisa… talvez nada além de papo-furado.

  4. Tatiana disse:

    Puxa, Gil. Que sem graça, contar o final do filme…

  5. Guto disse:

    Absurdo total, vamos aos fatos…

    Conan, sem duvida nenhuma é um otimo filme, feito em 1980(ou por ai) com efeitos especiais de primeira escala e cenas chocantes.. Falar mal do Conan é uma blasfemia!!

    Não me venha com essas de “Não tenho idade para ter pelos na orelha” pelos na orelha não tem idade, qualquer um pode ter, e todos sabem que a tua idade é bem maior do que falas..

    Kill Bill não é tão ruim assim, mas o primeiro foi o melhor deles!!

    Olha, me considero um bom nerd, mas realmente não lembro da cena do robocop..

    Abraço e que Crom o proteja!!

    Guto

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