Morrissey: You Are The Quarry

Do Oxford:

Quarry 2. [sing.] an animal or person that is being hunted or followed.

Os golpes em Morrissey foram fortes e reais, e ele não pode mais fingir que é o garotão de óculos com armação estranha; ele não pode mais ser tão poético e abstrato, e algum pragmatismo seria necessário para sua sobrevivência. E os novos aspirantes ao trono, como Brett Anderson, já construíram uma nobreza concorrente e perigosa. Mozz olha para o outro lado do Atlântico, e vê uma horda de jovens a serem doutrinados, adolescentes deslocados, inflados de tudo, e que o amam. Ele decide rapidamente, e logo está dentro de um avião.

Em Los Angeles, uma gravadora de fundo de quintal, e uma nova imagética. Mozz fica perfeito em sua imagem de gangster de antigamente, com sua metralhadora e com seus capangas, de cara malvada mas bastante, digamos, “limitados”. Perfeito! O bando formado por Whyte, Boorer, Day e Butterworth sabe muito bem quem é a verdadeira estrela, e apenas acompanha.

Mozz ainda finge que não existe internet, mas sabe que ceder um pouco faz bem. Apesar disso, Jerry Finn é um intruso, sob o olhar irônico da primadonna de coração inglês e sangue irlandês. Tudo o que o produtor consegue fazer é inserir alguns ruídos eletrônicos, totalmente deslocados, e algumas batidas mais ou menos modernas, enquanto Mozz e banda fazem o mesmo disco de sempre. Diante disso, não acredite que este disco será um Vauxhall & I ou Your Arsenal; ele é mais próximo de Southpaw Grammar, falando em Steve LillyWhite.

Morrissey assume que cresceu, ao menos em parte. Nota-se pelas atitudes, e também quando ele declara que there’s a wild man in my head.

E não dá para dizer que o disco é ruim, pois está tudo lá: a voz de Mozz continua teatral e pomposa, de um timbre delicioso. O disco é redondinho, e desce como a tal da cerveja, e eu considero esta a melhor analogia.

Coeficiente Smiths de 0 a 1: 0,2

Músicas em que Mozz critica o governo: 5 de 12

Músicas em que Mozz fala que ninguém o ama, ninguém o quer: 4 de 12

Músicas em que Mozz sugere, mas não assume, que é gay: 2 de 12

Singles que eu escolheria: How Can Does Anybody Possibly Know How I Feel, que deve ser a mais Smiths do disco, tanto pelo título macarrônico quanto pela forma como Mozz canta. First Of The Gang To Die, que nem tem um riff tão legal, mas que tem o melhor refrão do disco, lembrando os melhores momentos de Southpaw Grammar. E I’m Not Sorry, onde o velho mancuniano declara que não vale uma naba mesmo.

Coeficiente MOBRAL: Mozz mantém a peteca no alto, escrevendo letras acima das do disco anterior, e bem acima da média do nicho de mercado dele.

Momento constrangedor: Let Me Kiss You, onde Mozz claramente esquece que mesmo a auto-comiseração deveria ter limite. E em All The Lazy Dykes, uma boa canção que não precisava daqueles barulhos ridículos que o produtor colocou nela.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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