Guarda e Spielberg

Guarda do Embaú

A Guarda do Embaú fica na Palhoça, algumas dezenas de quilômetros ao sul de Florianópolis. O local é uma das maiores concentrações de bichos grilos que eu já testemunhei. Sintomaticamente, respirações profundas podem promover consumo passivo de quantidades elevadas de estupefaciente jamaicano. Bob Marley e Peter Tosh, este último também conhecido pelo epíteto de “Toshico”, são homenageados em todas as esquinas por usuários dos mais variados credos.

Marofas à parte, a paisagem do local é bastante peculiar. Vi a praia, pela primeira vez, à noite, com uma Lua belíssima, refletindo-se sobre a água calma do que pensei ser o mar, ao lado de barcos que incitavam metade dos meus clichês fotográficos. De dia, descobri que não era um banco de areia separando faixas de mar, mas um rio caprichoso que estica por toda a faixa de areia, criando uma paisagem única.

Vale a pena visitar a Pedra do Urubu também, e deliciar-se com um crepúsculo de calendário, na companhia dos supracitados bichos grilos, que são capazes das elucubrações mais absurdas sobre os assuntos mais improváveis. Há também um bar dentro de um paiol, muito bizarro e autêntico.

Ficamos no acampamento Beira Rio, que tem até página na internerd; o endereço ficou no adesivo, que ficou grudado no carro, e eu estou com preguiça de buscar, mas um google rápido deve resolver este contratempo. Grama e muitas árvores, o que não ameniza o efeito devastador de noites dormidas no chão sobre o corpinho de certos dinossauros, mas que dá um ar bucólico e algumas sombras providenciais.

O feriadão só não foi perfeito por conta de um elemento baderneiro, que cantava músicas do Los Hermanos enquanto agia como o vocalista do Charlie Brown Jr. Lamentável.

No outro extremo, vale lembrar que a boa companhia foi fator preponderante entre aqueles que tornaram o feriadão tão delicioso. Sintam-se abraçados.

***

E vi O Terminal. Esqueça considerações sobre a existência humana ou questionamentos; Spielberg e Hanks se unem para fazer um filme divertido, e apenas isso. As atuações são corretas, e o uso de clichês não é tão descarado, o que permite que o telespectador dotado de um mínimo de noção não se sinta insultado. Obviamente temos aquele coeficiente fabuloso considerável, que o diretor usa para fugir de certas falhas no roteiro. O bom mocismo ianque abunda, mas não chega a dar náuseas.

A sensação mais estranha é dada pela época onde parece se passar o filme, um mundo ainda na Guerra Fria, onde repúblicas comunistas ainda estão se convertendo, e onde as pessoas usam pagers. Certas passagens do filme se baseiam nesta relação com a época, quesito básico para venda dele numa indústria que exige todos os detalhes mastigados e pré-digeridos; acredito que o roteirista poderia escapar dessas limitações.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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