Brad Bird: The Incredibles

Se algo salta aos olhos em Os Incríveis, este algo é o fato de que não há como o filme não funcionar. Existe um cuidado obsessivo pelos detalhes e pela captura das referências. Por outro lado, não foram assumidos riscos, o que pode ser notado em alguns momentos. O vilão, por exemplo, não consegue convencer a multidão de que é um herói em instante algum; seria mais interessante se ele realmente conseguisse enganar por algum tempo, e ser desmascarado. Nesta linha, a substituição do vilão humano e cheio de motivações por um ente esférico e mecânico corta qualquer possibilidade de debate sobre as relações humanas; ok, é apenas um filme de entretenimento. Da mesma forma, a suspeita da traição de Beto dura pouco, o que não chega a ser ruim; prolongar neste caso poderia quebrar o ritmo alucinante do filme.

E ritmo não falta. Certas cenas são efetivamente de tirar o fôlego, como a corrida sobre a água entre os jardins suspensos. As possibilidades da animação digital crescem de forma absurda, e dá gosto ver o avanço conseguido na modelagem dos cabelos das personagens. A modelagem das superfícies de água também está excelente, e o incêndio no prédio possui as chamas digitais mais convincentes de que me lembro.

As referências aos filmes e seriados de heróis são muito claras, e devem fazer a festa dos nerds mundo afora. Começa com Watchmen (heróis aposentados), passa por Thunderbirds (cenas do avião), e termina com Super Homem (a camisa se abrindo e dando a visão do uniforme sobre o peito) e Quarteto Fantástico (a perfuratriz invadindo a cidade). Apesar disso, a base do filme é feita sobre os filmes de um personagem que só possui a cara de pau como poder: Bond, James Bond. Todas as seqüências da ilha de Síndrome pagam tributo à filmografia do espião mais famoso da Rainha.

Só uma coisa me encafifa: como diabos aquele fragmento de avião chega tão depois da família Pêra à água, se eles caíram de pára-quedas? Das duas, uma: ou é um erro tosco de roteiro, ou é uma referência ultracool a algum erro de roteiro famoso. Em qualquer caso, nada empana o brilho deste filme que consegue te prender por duas horas, sem que você se sinta um imbecil ao sair do cinema.

***
Mas, pou, porque o vilão tinha de ser um engenheiro?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Brad Bird: The Incredibles

  1. Creford disse:

    How wonderful it is! Today, I had seen the film – “The Incredibles” this afternoon, My father also had seen this film in this evening. This cartoon movie is powered by Disney Company.
    In this film, I love the people’s sensation, scene, bugbears. The scene is so sublime.
    With the great imagination.

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