Atentado

Logo após a virada do ano 1000 segundo a contagem cristã, rapazes também cristãos levavam suas boas intenções às terras infiéis sob a alcunha das Cruzadas. Nada como morte e guerra como prenúncio de um bom milênio por vir, e ainda sob os auspícios do santo papa.

No redemoinho de morte, fogo, destruição e estupro, uma das táticas prediletas de invasão que aquela moçada boa, patrocinada pela santa igreja, era o arremesso de cães doentes de Peste para dentro das muralhas das cidades, usando catapultas. Dentro do panorama de invasão para saque, e não para ocupação, era muito eficiente, um antecessor das modernas armas biológicas.

Podemos pensar que as coisas mudaram nos tempos de hoje, e que as pessoas não estão mais expostas a esse tipo de golpe baixo, e alguns seres inocentes e ingênuos efetivamente o fazem, desconhecedores da natureza humana, esta sempre entregue aos mais sórdidos divertimentos com o sofrimento alheio.

Vem, carteiro, vem!

E eis que minha nobre genitora vinha alegre e saltitante nos jardins nababescos da Mansão Tessari, quando foi arremessado, por cima do muro, um pacote contendo três volumes de uma das mais embrutecedoras e cruéis armas modernas. Eram os exemplares da semana da revista Veja, embalados em um saco anônimo, e lançados por um sádico carteiro, provavelmente ordenado por mandantes pérfidos instalados em alguma unidade de marketing da editora Abril. Essas pessoas, não contentes em bombardear este pobre assinante de National Geographic e Bravo! com dezenas de telefonemas oferecendo assinaturas da Veja, resolvem fazer uma afronta direta, ameaçando a habitabilidade da imponente Mansão Tessari e a vida sã de todos os lá residentes.

Fica aqui meu alerta contra mais essa tática para disseminar o consumo da Veja, recheada de textos nocivos à saúde humana e matérias que não cheiram e quase nunca fedem, um apanhado digestivo que não serve nem para cama de cachorro.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Atentado

  1. Pingback: Não Veja « sinestesia

  2. Ângela Pralini disse:

    Ai ai, muito boa…
    Preciso te contar um segredo:
    Dizem por aí que existe um lugar sinistro cheio dessas armas, parece que tem umas muito mais destruidoras, não sei direito o nome do lugar, acho que é consultório alguma coisa…

  3. Rômulo disse:

    Hahaha, hilário.
    Cheguei aqui pelo curioso caso de uma moça suíça tão sinestésica que percebe diferentes cores/ sente diferentes gostos de acordo com as notas musicais que ouve. O caso, estudado, será artigo da Nature de amanhã.

  4. Brian disse:

    Realmente… pois estas táticas invasivas podem ainda vir com taxações indevidas! Falo por experiência!

  5. Nanda disse:

    e torce pra eles não te cobrarem a assinatura desse mês!

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