Enquanto isso, nos mares…

Diante da prateleira, eu parei, com receio. Ela disse que queria ver aquele filme, e eu tinha de falar tanto sobre ele? Eu não pude negar, e ele vinha nas mãos dela para que eu o visse novamente, perspectiva que me encheu de receio.

Chegando em casa, ela sugeriu que víssemos Mestre dos Mares antes. Alívio. “Épicos marinhos não podem causar maiores danos em um coração brega despedaçado”, pensei, e, diabos, eu estava certo!

Mestre dos Mares é sutil e detalhista, por exceção de alguns momentos antes do desfecho, quando o velho mal da sobre-explicação róliudiana intervém, e rouba um pouco do charme do filme. Sem maiores prejuízos, entretanto. As peripécias do roteiro são levadas a cabo com elegância pelo elenco, com atuações corretas, e o cuidado do diretor Peter Weir remete-me àquele de um ourives em sua obra mais fina.

Um aspecto interessante que vislumbrei é um possível espelhamento dos eventos, que conduziria a um outro filme, gêmeo deste, mas contado a partir do ponto de vista dos tripulantes do Acheron, e não deste do HMS Surprise. A princípio, ele fica melhor rodando apenas dentro da minha cabeça, como uma celebração ao aspecto cavalheiresco das contendas navais.

Vale ressaltar que este é um filme para homens, e o troféu de destaque na categoria Macheza Retumbante e Incontestável ia inicialmente para o moleque que tem seu braço amputado, mas o médico de bordo consegue uma reviravolta após ter sido baleado de uma das formas mais estúpidas possíveis. Nosso heróico mestre no bisturi faz as incisões em si mesmo, contando com o apoio e as caras abismadas de seus colegas de roubada sobre as águas.

O final é excelente, e o moleque que mora em mim, e que ainda lembra dos livros de piratas de tempos idos, se aloprou na poltrona o suficiente para considerar-se muito emocionado. A ponto de aceitar ver o outro disquinho, aquele que o deixava receoso.

Syren

E, sabe de uma coisa? Até de duas, na verdade. A primeira é que Big Fish é um filme bom demais para que uma dor de cotovelo me impeça de vê-lo. E a segunda é que eu descobri que ainda não conheci a Sandra K. Templeton do meu universo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Enquanto isso, nos mares…

  1. Bruma disse:

    E sabe de outras coisas? O filme é realmente bom, mas quando comparado à realidade perde o sentido, é como se eles divergissem.

  2. Oi.
    Gostei do seu blog.
    Não vi Mestre dos Mares, mas vi peixe grande e amei esse filme.
    Vou vir aqui sempre.
    Bjim:***

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