Pupi Avati: Il Cuore Altrove

espeta a maluca, vai!

Começa a exibição do filme, com imagens antigas, e trilha deliciosamente coerente com tais imagens. Assim que começam efetivamente a surgir as primeiras cenas, e Nello, o protagonista, nos é apresentado, bingo, você descobre que este é mais um daqueles filmes que só podem terminar em merda. Enquanto conhece-se a família de nosso garoto de 35 anos, desvela-se a característica principal de um cinema italiano clássico: uma Roma deliciosa, de matronas traídas por seus maridos enroladores e grandes carros das primeiras décadas do século XX, de crianças de boinas e presença ostensiva da igreja católica, de personagens pintadas em cores exageradas, distante de uma certa sutileza pregada pelos vizinhos franceses, por exemplo.

Nello é exagerado. O professor é cronicamente desprovido de habilidades sentimentais, que ainda podem-se dizer maiores do que as suas experiências sexuais. E isso é bom? Ora, é um filme italiano, catzo, e isso é uma das coisas boas que ele pode te proporcionar. Nello possui um cartaz de “chute-me” tatuado em seu traseiro, e o tal dispositivo não é muito atingido porque Nello é tão ingênuo que provoca pena.

O celibato parece ser a saida natural, apesar dos protestos paternos, mas a coisa degringola quando ele encontra Angela, uma criatura das alturas, totalmente inconseqüente, e inconsciente de que as criaturas bobas devem ser poupadas da crueldade e da humilhação. Neste momento, desaparecem do mundo os personagens da bonachona vida de Nello, que cede ao mínimo de esperança que a musa semidivina lhe oferece. Humilha-se, ilude-se, e, obviamente, se fode ao nível dezenove numa escala humanamente aceitável que fosse graduada de zero a dez.

E se fosse falta de aviso? Nello está surdo, como se a cega cuspidora tivesse entupido seus tímpanos. O pai da moça avisa, toda a sociedade onde ele penetra de furão deveria fazê-lo recitar os sábios versos de Thom Yorke, a saber what a hell am i doing here? i don’t belong here, mas a mente de perdida de nosso looser de napa enorme olha para a montanha de futilidades de Angela, e não acredita, ninguém pode ser assim, e enxerga ali uma profundeza que não vê nem mesmo em si.

As gargalhadas ainda ecoam, mas nosso amigo já deveria estar cantando eu amei, e acho que algumas vezes ela também me amou, só que o prazer é tão pouco, mas ele se solta a cantar qualquer canção de festa com os estudantes do Vaticano, devastado pelo ataque súbito da realidade.

Um Coração para Sonhar poderia ter vários verbos depredadores no lugar daquele que designa a ação onírica, mas provoca várias gargalhadas deliciosas, e uma reflexão sobre as besteiras que um ser apaixonável pode fazer a si mesmo nos pequenos universos do dia-a-dia. E ainda o conceitos distintos de cegueira em cada um dos protagonistas.

Ah, revi Carnages. Perde muito na tela pequena, mas diabos, que naba de filme bom!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Pupi Avati: Il Cuore Altrove

  1. DAY disse:

    Tantas construções românicas, irreconhecíveis, veja só!!!! Puro furo antropológico e concupiscente!!!! Nada muito sério.
    Te cria!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. DAY disse:

    TANTAS ALUSÕES ROMÂNTICAS NÃO FEREM OS SENTIDOS HUMANOS EU ACHO.

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