21.04.2005: Placebo

Naughty Boy

Capítulo I: As Prévias

Espalham-se pelas avenidas de Florianópolis cartazes anunciando o show da banda britânica Placebo, e um tal de festival de bandas, que abrirão para eles. Diante da vinda de uma banda gringa no topo da fama ao Brasil, não reflito muito sobre a bizarrice de um tal festival, e nem sobre os slogans estúpidos da operadora de celular que patrocina a bagaça.

BTW, não lembro se falei disso, mas fica o aviso às novas gerações. A prova de que celulares são nocivos está claramente disposta no fato de que as operadoras de celulares patrocinam o mesmo tipo de evento que as fabricantes de cigarros promoveram no passado.

De resto, vale lembrar que a foto da banda nos cartazes os faz parecerem um grupo independente de cabeleireiras desvairadas. Inclusive o Steven, caso único de heterossexualidade declarada na banda, parece o mais antilopesco dos três. Adiantando, comentário de um espectador após o show: “Pois é, eu achava que o mais viado era o vocalista, mas o baixista ganhou fácil!”.

Sobre a platéia à entrada do show, foi instituído o prêmio Melancia no Pescoço, o que era previsível dada a quantidade de adolescentes revoltadinhos de classe média. Os grandes campeões foram uns seres patéticos envergando suas saias, se achando os seres cultuados ao imitarem pobremente as indumentárias de Matrix e Marilyn Manson. Pobreza.

E o pessoal pode tirar o atraso com os seguranças, que fizeram uma vistoria das mais rigorosas, as quais suscitaram comentários do tipo “uhm, ela me estuprou!” e “caramba, o cara me arrancou a cueca!”. Em suma, momentos de grande calor humano, e possíveis trocas de fluidos. Adoro a dimensão humana desses espetáculos.

Capítulo II: As Bandas do Festival

Não fosse a irrelevância, eu chamaria de tragédia a apresentação das bandas do tal festival com trocadilho infame no nome. Aparentemente, as bandas foram escolhidas em modo aleatório, seja por sorteio ou por QI, sem nenhuma preocupação em alinhar tais bandas, minimamente que fosse, ao estilo da banda que encabeçava o evento.

Resultado? A única banda memorável, que me perdoem Los Diaños e sua interessante indumentária, foi a Spiegel, e por motivos não exatamente gloriosos. Os rapazes, com sua verve revoltada de subúrbio, com todos os bocejos que isso pode gerar na adolescência classe média que imperava no local, conseguiram chamar atenção, dedos médios em riste e objetos diversos arremessados, entre os quais dominavam o cenário latas de cerveja e prosaicas garrafas de água mineral, o que deve ter deixado o Carlinhos Brown arrepiado.

Felizmente, acabaram logo.

Capítulo III: O Show do Gringos

Primeira constatação, meio óbvia: o Placebo não é uma banda de grandes músicos. As músicas são tocadas com vontade, Steven bate com gosto nas peles, o baixista se reveza nos instrumentos, e os músicos de apoio engordam bem o som. Entretanto, toda vez que a banda tenta mudar um arranjo, ou colocar algo mais espontâneo, o pudim desanda.

Dos músicos de apoio, o cara da direita mandava legal, nada que atrapalhasse o show. Agora, o mané da esquerda era triste como ver uma lombriga sozinha no meio da estrada. O cara era tão útil para a banda quanto um carrinho de rolimã para uma girafa, e ainda tinha as manhas de atrapalhar, como no clímax de Without You, I am Nothing; Brian conseguiu manter o crescendo da canção sem problemas, e eu estava arrepiado quando chega a parede de distorção do final, quando o mané joselito sem noção resolve dar um toque extra com umas notinhas perdidas ao piano. Detestável, nota bola para ele.

Outro ponto foi uma certa frieza da banda. As partes mais emocionantes, como os momentos em que a roadie da banda trocava a guitarra de Brian, soavam forçados. A banda parecia um pouco abatida, o que quebrava a animação da platéia. Entretanto, os caras só tocaram hits, o que fazia o povo nem reparar nesses detalhes de performance, que ficaram mais aparentes nas duas canções novas, que o povo não conseguia acompanhar de cor.

Saí de lá muito feliz, e esperançoso com a vinda de outras bandas importantes do mercado mundial. Ainda assim, ficou no ar um sentimento de carreirismo excessivo na apresentação. Sim, isso soa Poliana demais, mas eu não consigo evitar, ainda mais com a horda mongólica de adolescentes apaixonados por Placebo que me cercava ontem à noite.

Por ora é só, não estou lembrando de mais nada muito relevante. Eu disse “relevante”? Diabos!

Anúncios

Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Música e marcado , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para 21.04.2005: Placebo

  1. Turnes disse:

    Nem fui no show, mas não consigo entender no que interessa a orientação sexual dos artistas. Preocupaçãozinha anacrônica.

  2. Gi disse:

    Seu chato! Seu chatonildo, o nome do hetero é Steven, o batera, ok? Arruma isso. E o show foi demais!
    Mesmo sendo chato vc sabe q eu te gosto muito, né?
    Hj eu já te chamei de chato no msn, no telefone e tinha q deixar aqui tb. Aliás, porrax, 86 minutos no telefone…esse teu lado “fifi” é demais.
    Prefiro ter esses papos longos com uma boa musica e algo alcoolico..
    Beijo, boa semana! (e tenta manter aqueeeele cheiro..ok? heheh)

  3. mari disse:

    nao achei o show tao ruim assim… mas sobre a questao de festivais patrocinados por celulares eu concordo com vc. No resto, nao concordo em nada.

  4. day disse:

    Pior foram os/as adolescentes com mais de 30 anos.
    De resto, fauna costumeira.

  5. Marcus Pessoa disse:

    Eu amo Placebo, considero uma das melhores bandas atuais. Não fui ver o show porque moro longe demais das capitais, mas numa coisa concordo com você: eles têm um estilo meio carreirista mesmo.

    O DVD Soulmates Never Die mostra uma banda extremamente preocupada em agradar, em paparicar o público e ser “amada”. Faltou um pouco de atitude rock’n’roll aí.

    Mas isso talvez seja só um comentário ranzinza sobre uma banda que merece estar onde está.

Os comentários estão encerrados.